Escândalo milionário: rachadinha no gabinete de Hugo Motta
Chefe de gabinete é acusada de movimentar contas de servidores e ex-assessores; esquema envolve mais de R$ 4 milhões em salários
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), está no centro de um novo escândalo de rachadinha, conforme revelado por reportagem de Tácio Lorran, do portal Metrópoles. A chefe de gabinete de Motta, Ivanadja Velloso Meira Lima, é ré em uma ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal (MPF) e detém procurações que lhe conferem amplos poderes para sacar salários e movimentar contas bancárias de servidores e ex-servidores do gabinete.
A investigação aponta que ao menos 10 pessoas autorizaram Ivanadja a operar suas contas. Juntas, essas nomeações resultaram em mais de R$ 4 milhões em salários pagos pela Câmara durante o período em que os funcionários estiveram lotados no gabinete de Motta.
Procurações com poderes totais
As procurações começaram a ser registradas em 2011, ano em que Hugo Motta assumiu o mandato. Em oito delas, há autorização explícita para que Ivanadja receba os salários dos servidores. Dois dos funcionários que assinaram os documentos continuam empregados.
Um dos casos mais alarmantes envolve Ary Gustavo Xavier Guedes Soares, motorista e caseiro da fazenda de Motta, que recebeu mais de R$ 1,1 milhão da Câmara. Apenas seis dias após sua nomeação, ele assinou uma procuração dando à chefe de gabinete acesso total à sua conta bancária. Situação semelhante foi registrada com Jane Costa Gorgônio, de 69 anos, secretária parlamentar desde 2012, que também concedeu plenos poderes a Ivanadja.
Histórico de acusações contra Ivanadja
Além das acusações atuais, Ivanadja responde a outro processo por improbidade, também movido pelo MPF, envolvendo o gabinete do deputado Wilson Santiago (Republicanos-PB), aliado de Hugo Motta. Nessa ação, ela é acusada de movimentar a conta bancária de um funcionário fantasma que sequer sabia o valor de seu salário.
Em sua defesa, Ivanadja afirma que não há provas de enriquecimento ilícito e que as acusações são baseadas apenas em suposições.
Acúmulo de cargos e suspeita de fantasmas
A reportagem também evidencia que diversos assessores acumulavam cargos incompatíveis com a jornada exigida pela Câmara. É o caso de Maria Socorro de Oliveira, que atuava simultaneamente no gabinete de Motta e no governo da Paraíba — em desacordo com a Constituição e as normas internas do Legislativo.
Outros nomes levantam suspeitas por vínculos duvidosos. Entre eles, Valdirene Novo dos Reis, conhecida como “Loura de Nêgo”, investigada na Operação Recidiva da Polícia Federal, e Kelner Araújo de Vasconcelos, denunciado por envolvimento em fraudes no transporte escolar, na Operação Veiculação.
A família Pagidis e os beneficiados
Outro ponto levantado pela investigação é a nomeação de cinco membros da família Pagidis no gabinete de Motta. Apenas Gabriela Batista Pagidis, fisioterapeuta, recebeu R$ 807,5 mil entre 2017 e 2025, enquanto mantinha atendimentos particulares e comparecia a atividades de lazer durante o expediente. Ao todo, a família acumulou mais de R$ 2,8 milhões em salários pagos pela Câmara.
Silêncio dos citados
Nem Hugo Motta nem Ivanadja Velloso se pronunciaram. Vários funcionários também evitaram responder sobre o destino de seus vencimentos.
O caso expõe novamente as fragilidades do sistema de contratação da Câmara dos Deputados. Cada parlamentar pode nomear até 25 secretários parlamentares, com salários que podem ultrapassar R$ 18 mil. No entanto, a fiscalização da frequência e da execução das atividades é responsabilidade do próprio deputado — o que abre espaço para esquemas de rachadinha e para a prática de manter funcionários fantasmas.
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