Eduardo Bolsonaro impede reunião que aconteceria entre Brasil e EUA
EUA cancelaram reunião por “militância anti-diplomática” de Eduardo, diz Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que uma reunião importante com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, foi cancelada devido à pressão da extrema-direita brasileira. Em uma entrevista ao programa Estúdio I, da Globonews, Haddad revelou que a reunião, prevista para o dia 13 de agosto, teve que ser desmarcada após uma articulação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro declarou publicamente que tomaria medidas para impedir o encontro entre os governos e Haddad explicou que a articulação foi desencadeada pela entrevista de o parlamentar.
“A militância anti-diplomática tomou conhecimento e agiu junto a alguns assessores. (…) Recebemos essa informação dois dias depois do anuncio que eu fiz, em que o Eduardo publicamente deu uma entrevista que ia procurar inibir esse tipo de contato entre os dois governos”, disse o ministro.
Haddad ainda relatou que o encontro foi desmarcado por e-mail e que não há uma nova data para a conversa. “Tentamos junto à assessoria do Secretário do Tesouro remarcar a reunião, mas logo percebemos que não era o caso”, prosseguiu.
O ministro também avaliou que essa interferência não tem relação com questões ideológicas, mas com uma mudança mais ampla na postura geopolítica dos EUA. Segundo ele, a aproximação dos Estados Unidos com outros países, como a Índia, é um reflexo dessa transformação nas relações internacionais.
“Não é uma questão ideológica, de governos mais amigos ou menos amigos. O que ele esta fazendo com a Índia mostra que é uma mudança de postura geopolítica”, acrescentou.
Haddad também aproveitou a ocasião para comentar sobre a Medida Provisória que o governo brasileiro está preparando para ajudar os setores prejudicados pelo tarifaço de Donald Trump. O pacote incluirá linhas de financiamento, ajustes tributários e possibilidades de compras públicas. “Estamos autorizando o poder público a fazer determinadas aquisições quando cabe”, afirmou.
Em relação ao impacto da medida nas empresas brasileiras, Haddad destacou que a MP prevê a manutenção de empregos nas empresas que receberem o apoio do governo. Ele reconheceu que nem todas poderão ser auxiliadas. “A MP tem que ter certa flexibilidade. São mais de 10 mil empresas, não vamos conseguir colocar todo mundo na mesma moldura”, completou.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participou nesta segunda-feira (11) do Congresso Brasileiro do Agronegócio e, durante sua fala, cobrou do presidente Lula (PT) um telefonema ao presidente dos EUA, Donald Trump, para negociar as tarifas.
Ingenuidade
"Quantas vezes vamos ter reuniões de alto nível no Departamento de Estado? Quantas vezes vamos ter a ligação do presidente brasileiro com o presidente americano? É isso que vai fazer a diferença. Para que a gente mostre e traga os argumentos", declarou Tarcísio de Freitas.
Durante entrevista à GloboNews, realizada no começo desta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, respondeu ao comentário de Tarcísio de Freitas e afirmou que o governador de São Paulo "é ingênuo".
"A afirmação do governador é, no mínimo, um pouco ingênua. Talvez uma pessoa que ainda não tenha o traquejo das relações internacionais. Não funciona assim. Quando dois chefes de Estado se falam, existe preparação para que a reunião, o telefonema, o que quer que seja, resulte na melhor condição de negociação para os dois países", iniciou Haddad.
Em seguida, o ministro da Fazenda explica como funciona o telefonema entre dois chefes de Estado: "Quando você tem três ministros — Itamaraty, Fazenda e Desenvolvimento — que não estão conseguindo sequer sentar à mesa para dialogar, ninguém vai arrancar pedaço de ninguém. É uma conversa, que eu já tive com o Besset e que poderia ter desdobramentos... Quando você encontra esse tipo de resistência em função da atuação de pseudobrasileiros em Washington, porque não estão defendendo os interesses do país, estão defendendo o seu próprio interesse, eu penso que o governador está sendo um pouco ingênuo de imaginar que esse telefonema é a chave de todas as portas. Não é."
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