Economia

Ciro Nogueira e o Banco Master: qual o interesse do senador nesse negócio?

Estaria Ciro Nogueira movendo peças no Congresso para abrir caminho a um negócio que favorece aliados e interesses ocultos?


Reprodução Ciro Nogueira e o Banco Master: qual o interesse do senador nesse negócio?
Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira em evento em SP

O Progressistas (PP) volta a mirar suas forças sobre as instituições brasileiras por meio do Congresso Nacional. Depois de atuar em favor de uma anistia aos condenados do 8 de Janeiro, em confronto direto com o Supremo Tribunal Federal, a legenda agora articula uma nova ofensiva: aprovar um projeto de lei que dê a deputados e senadores o poder de demitir diretores do Banco Central. A estratégia é liderada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), cuja proximidade com os controladores do Banco Master lança sombras sobre suas reais motivações. Afinal, qual o interesse de Ciro Nogueira nesse negócio?

A movimentação ocorre no contexto da operação frustrada que pretendia vender o Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). O Banco Central barrou a aquisição, que envolvia ativos de R$ 23 bilhões e havia sido aprovada pelo Cade em junho. O Master, presidido por Daniel Vorcaro, acumulava desconfiança no mercado por práticas arriscadas, suspeitas de superfaturamento e vínculos com investigações sobre lavagem de dinheiro do PCC. Críticos, como Ricardo Cappelli, presidente da ABDI, chegaram a classificar a operação como um “escândalo” que colocaria em risco as finanças do BRB e, em última instância, a conta para a população do Distrito Federal.

Veja também: Ciro Nogueira envolvido no imbróglio Banco Master/BRB?

O imbróglio ganhou contornos ainda mais políticos devido às relações pessoais de Vorcaro com Nogueira e outros líderes partidários. Reportagens apontam que a venda do Master ao BRB teve a participação de dirigentes do PP e do União Brasil, aliados do governador Ibaneis Rocha (MDB), que busca consolidar apoio para as eleições de 2026. A presença de Vorcaro em eventos festivos ao lado de Ciro Nogueira e de outras figuras da elite política reforça a percepção de que interesses privados e articulações eleitorais caminham lado a lado.

No mercado, a aquisição do Master é vista como uma “bomba-relógio”, capaz de contaminar o BRB com ativos de risco. O Banco Central, ciente da gravidade, manteve posição firme contra a transação. Mas, diante da resistência, a ofensiva política sobre a autonomia da instituição levanta uma pergunta inevitável: estaria Ciro Nogueira movendo peças no Congresso para abrir caminho a um negócio que favorece aliados e interesses ocultos?

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