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Caixa vai criar fundo imobiliário para reestruturar Correios

Iniciativa da Caixa visa fortalecer os Correios, ampliar o crédito imobiliário e digitalizar programas de reforma habitacional para a classe média.


Reprodução/Jornal Contabil Caixa vai criar fundo imobiliário para reestruturar Correios
Caixa vai criar fundo imobiliário para reestruturar Correios

A Caixa Econômica Federal planeja criar um fundo imobiliário utilizando imóveis dos Correios, com o objetivo de ajudar a estatal a obter novas fontes de receita e reequilibrar sua situação financeira. A informação foi dada pelo presidente da Caixa, Carlos Vieira. Segundo ele, essa iniciativa complementa a concessão de um empréstimo, cujo formato e a participação da Caixa ainda estão em discussão.

“Os Correios são hoje a marca mais valiosa do Brasil, até mais que a própria Caixa. Por que não investir em uma marca tão importante? Qualquer medida que gere receita para os Correios pode contar com o apoio da Caixa”, afirmou Vieira em entrevista ao videocast semanal C-Level Entrevista, da Folha.

Além disso, o presidente destacou que as recentes medidas de crédito habitacional lançadas pelo governo Lula deverão injetar mais R$ 80 bilhões no mercado nos próximos 12 meses, somando recursos para compra da casa própria e financiamentos para reformas. Ele ressaltou que o objetivo dessas medidas não é eleitoral, mas sim atender a uma parcela da classe média que antes não era contemplada por esses programas.

Crédito imobiliário e o futuro do setor

Sobre o impacto do novo modelo de financiamento habitacional, Vieira explicou que o banco conseguiu liberar parte do compulsório da poupança para uso em empréstimos imobiliários, o que deve adicionar R$ 40 bilhões à capacidade de crédito da Caixa nos próximos 12 meses. No total, isso pode gerar um potencial adicional de R$ 1 trilhão em crédito imobiliário para o sistema financeiro nos próximos dez anos.

Também foi lançado o programa “Reforma Casa Brasil”, que deve colocar mais R$ 40 bilhões no mercado, sendo R$ 30 bilhões provenientes do fundo do pré-sal e R$ 10 bilhões da Caixa. Vieira afirmou que o modelo adotado é estruturante e não apenas uma medida temporária, com expectativa de liberar gradualmente mais recursos do compulsório.

O presidente do banco atribui o avanço à parceria com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que propôs uma visão estruturante para a liberação do compulsório, diferente de medidas meramente conjunturais.

Participação da Caixa e expansão do mercado

A Caixa hoje domina 68% do mercado de crédito imobiliário proveniente da poupança. Com as novas medidas, o crédito imobiliário poderá representar cerca de 15% do PIB brasileiro em três a quatro anos, frente a 10% em 2014. Vieira mencionou que o banco não busca manter 70% de participação, almejando reduzir para cerca de 50%, permitindo maior espaço para outros bancos.

Ele destacou o sucesso do programa Minha Casa, Minha Vida, que passa por aprimoramentos e terá 2026 como ano de transição para o novo modelo.

Taxas de juros e microeconomia

Sobre a atual taxa de juros e as pressões sobre o Banco Central, Vieira afirmou que a macroeconomia é discutida pelo governo, Banco Central e Ministério da Fazenda, enquanto ele foca na microeconomia, cuidando dos clientes e das empresas. Segundo ele, a Caixa tem feito sua parte para impulsionar o desenvolvimento, e acredita que a queda das taxas virá após o estabelecimento dos parâmetros econômicos.

Crédito imobiliário e inflação

Vieira não acredita que a injeção de recursos na habitação vá pressionar a inflação. Em 2023, a Caixa concedeu R$ 180 bilhões em crédito imobiliário, e a projeção para 2024 é de R$ 224 bilhões, com possibilidade de chegar a R$ 250 bilhões.

Programa digital para reformas

A Caixa anunciou que o novo programa de reformas será operado digitalmente, utilizando inteligência artificial para fiscalizar a correta aplicação dos recursos. O sistema permitirá, por exemplo, que o beneficiário envie fotos do imóvel para análise, complementadas por dados de georreferenciamento para garantir autenticidade. Visitas presenciais poderão ocorrer posteriormente, mas a expectativa é de que o modelo funcione com alto nível de confiança.

Foco na classe média

Desde que assumiu em novembro de 2023, Vieira ressaltou o compromisso do banco em atender a classe média, que antes era pouco assistida por programas habitacionais, sem qualquer viés eleitoral.

No programa de reformas, R$ 30 bilhões serão subsidiados para famílias de duas faixas de renda: até R$ 3.200 (10% dos recursos) e até R$ 9.600 (90%). O programa poderá ser ajustado conforme a demanda.

Apoio aos Correios

Sobre a negociação para concessão de empréstimo aos Correios, com garantia do Tesouro Nacional, Vieira disse que o processo está em fase inicial, mas que bancos privados também estão envolvidos. Os Correios precisam de uma ampla reestruturação, e os imóveis (avaliados em mais de R$ 5,5 bilhões) farão parte de um conjunto de medidas para capitalização.

A ideia é criar um fundo imobiliário que compre esses imóveis e os alugue aos Correios, numa operação conhecida como leasing back, gerando receita para a estatal.

Vieira destacou que os Correios são a marca mais valiosa do Brasil e reafirmou o compromisso da Caixa em apoiar medidas de geração de receita para a empresa.

Redução de juros no consignado privado

A Caixa afirma praticar as menores taxas de juros no crédito consignado para trabalhadores, com perspectiva de novas reduções, especialmente com a possibilidade de uso do FGTS como garantia, prevista para ser implementada até o fim do ano.

Questionamentos sobre indicações políticas

Questionado sobre a presença de assessores ligados a políticos em seu gabinete, Vieira afirmou que todas as contratações são baseadas em critérios técnicos e que a indicação política não pode ser impedimento para que profissionais competentes sejam selecionados.

Posição frente a mudanças políticas

Apesar da saída oficial da federação União Progressista do governo Lula, Vieira garantiu que permanece no cargo de presidente da Caixa, nomeado pelo presidente da República, e não tem recebido convocações para discussão sobre sua posição.

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