Política

Boulos, Lula e marqueteiros de campanhas

Guilherme Boulos vai contratar o marqueteiro Lula Guimarães para tocar sua campanha à prefeitura de São Paulo


Foto: DivulgaçãoBoulos, Lula e marqueteiros
Boulos, Lula e marqueteiros

O jornal dá conta que Guilherme Boulos vai contratar o marqueteiro Lula Guimarães para tocar sua campanha à prefeitura de São Paulo.

O marqueteiro se notabilizou pela vitória de João Doria em 2016. Nas eleições passadas, foi o responsável pela campanha da lacradora lavajatista Soraya Thronicke.

O marketing político tem duas faces. Uma é ampliar o alcance da mensagem de partidos e candidatos.

Outra é diluir essa mensagem. Esconder o projeto. Banalizar a disputa. Manipular o eleitorado.

Os marqueteiros são mais que apenas publicitários. Assumem a posição de estrategistas políticos.

No Brasil, Duda Mendonça tornou-se lendário ao ressuscitar a carreira política de Paulo Maluf. O velho lambe-botas da ditadura, cujo nome se tornara sinônimo de corrupção, tinha perdido várias eleições seguidas. Lula, num debate, chamou-o de “candidato competente: compete, compete e nunca ganha”.

Pois Duda soube o que fazer: trocou a armação dos óculos de Maluf. Que, então, elegeu-se prefeito, para desgraça da cidade de São Paulo.

Depois disso, tornou-se uma máquina de fazer campanhas eleitorais. Os kits eram pré-montados. O mesmo slogan, jingle e programação visual de um candidato de esquerda no Ceará podiam ser usados na eleição de um direitista do Paraná.

Diz-se que isso é “vender um candidato como sabão em pó”. Na campanha de 1989, a Frente Brasil Popular satirizou o estratagema, que Fernando Collor ilustrava com perfeição, num anúncio antológico.

Mas em 2002 Duda Mendonça tornou-se o marqueteiro de Lula. Criou o “Lulinha paz e amor”, montou a chapa com Zé Alencar, focou o discurso em superação e oportunidades. Lula ganhou a eleição, após uma campanha despolitizada.

A ideia que de alguma maneira alimentou o PT nas primeiras eleições, a ideia leninista de que a campanha eleitoral devia ser um momento de educação política, havia sido descartada para sempre.

Você talvez ganhe a eleição. Mas, uma vez eleito, tem muito menos chance de mudar alguma coisa. Um projeto transformador exige uma base politizada.

Nos Estados Unidos, os estrategistas políticos em geral têm alinhamento partidário. Alguns trabalham para os democratas, outros para os republicanos.

Não quer dizer quer as campanhas eleitorais não sejam terríveis – basta lembrar do infame caso Willie Horton, que foi decisivo na eleição presidencial de 1988 (quando Bush pai derrotou Dukakis). Mas pelo menos se pode imaginar que há algum projeto por trás.

Boulos, que seria o mais “radical” (no bom sentido da palavra) que a política brasileira tem para nos oferecer, segue o mesmo caminho.

Este é o drama permanente da política. Não estou dizendo que tenha solução fácil.

Em 2020, Boulos chegou ao segundo turno. A prefeitura esteve alcance da mão. Quem sabe um empurrãozinho só seria necessário para a vitória. Quem sabe fazer um acenozinho a mais para a FIESP. Quem sabe diluir um pouquinho só mais o discurso, fazer uma concessãozinha só mais ao senso comum conservador.

Quem saber ser mais Doria e menos Boulos seja a chave do sucesso. Não vale a pena, não é um preço razoável a pagar para evitar a eleição de Nunes?

Quem sabe a resposta?

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