Advogada presa diz ter sido tirada da cela para acomodar Bolsonaro
Defesa diz que mudanças de cela causaram abalo psicológico na presa
Presa preventivamente por tráfico no DF, a advogada Jéssica Castro de Carvalho relatou à defesa sucessivas mudanças de cela na Papudinha para acomodar autoridades, o que teria causado abalo psicológico. Detida com drogas, arma e munições, ela aguarda apuração enquanto a defesa aponta falta de assistência médica regular.
O que aconteceu
A defesa da advogada Jéssica Castro de Carvalho, presa preventivamente por tráfico de drogas no Distrito Federal, afirmou que ela vinha reclamando de remanejamentos constantes de cela na Penitenciária da Papudinha. Segundo o advogado Alexandre de Melo Carvalho, as mudanças ocorreriam para acomodar autoridades públicas e antecederam a destinação da cela ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
De acordo com o defensor, Jéssica dividia a cela com outra advogada e os deslocamentos frequentes teriam provocado abalo psicológico. Ele relata que, a cada alteração, ela precisava retirar pertences e se adaptar a um novo espaço, o que agravaria o desgaste emocional. Ainda conforme a defesa, em novembro a advogada sofreu uma convulsão dentro da unidade e foi socorrida após o acionamento do SAMU.
A nova cela de Jéssica fica ao lado de onde estão detidos Anderson Torres e Silvinei Vasques. O advogado sustenta que a Papudinha não dispõe de assistência médica regular e avalia que a presença de Bolsonaro pode ampliar o acesso a atendimento para outros presos. Jéssica possui registro ativo na OAB, o que garante sua permanência em sala de Estado-Maior na unidade.
Jéssica Castro de Carvalho, de 30 anos, foi presa na quinta-feira (13) por tráfico de drogas. Nas redes sociais, onde era conhecida como “advogata”, ela exibiu rotina de treinos intensos, participação em eventos religiosos e manuseio de armamento pesado. A prisão ocorreu após ser flagrada transportando entorpecentes, uma pistola e munições.
A detenção foi realizada por policiais militares do 20º BPM e do Patamo, no Paranoá (DF). Jéssica foi conduzida à 6ª Delegacia de Polícia, que investiga o caso. Segundo a polícia, os materiais ilícitos estavam no próprio veículo da suspeita, incluindo arma de fogo de uso restrito e diversas munições.
O caso ganhou repercussão também por publicações anteriores da advogada. Em uma postagem no Instagram, ela afirmou que “a prisão não afeta apenas quem está atrás das grades; atinge todos ao redor” e que “a cadeia é um fardo compartilhado”. A reflexão, que parecia abordar a realidade de clientes e familiares no sistema penal, contrastou com o flagrante que resultou em sua prisão.
Nas redes, Jéssica se apresentava como advogada com sete especializações, incluindo atuação na Lei de Drogas e no Tribunal do Júri, além de conteúdos sobre neurociência. Ela compartilhava momentos da rotina profissional, visitas à Polícia Civil, batizados na igreja, atividades esportivas como campeonatos de fisiculturismo e imagens portando armas de grosso calibre.
A Polícia Militar apreendeu no veículo da suspeita 26 munições calibre 9 mm, cinco munições calibre .380, uma pistola Glock G19 calibre 9 mm com carregador de capacidade estendida, porções e tabletes aparentando entorpecentes, um saco com comprimidos roxos semelhantes a ecstasy, um passaporte brasileiro e um caderno de anotações. As investigações prosseguem para apurar a origem do material e possíveis conexões com organizações criminosas.
Deixe sua opinião: