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Flávio Bolsonaro pode desistir da candidatura, e Michelle não vai à convenção do PL

Crise entre Flávio Bolsonaro e Michelle permanece sem solução


Reprodução Flávio Bolsonaro pode desistir da candidatura, e Michelle não vai à convenção do PL
Flávio e Michelle Bolsonaro

Embora a convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho, deva oficializar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, a definição ainda não será definitiva do ponto de vista jurídico. Pela legislação eleitoral, os partidos têm até 15 de agosto para registrar oficialmente seus candidatos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), prazo que permite à legenda substituir o nome aprovado na convenção caso considere necessário.

A possibilidade ganha importância diante das dificuldades enfrentadas por Flávio Bolsonaro para ampliar sua candidatura além do eleitorado mais fiel ao bolsonarismo e do ambiente de tensão interna vivido pelo partido nas últimas semanas.

Convenção do PL não impede mudança de candidato

As convenções partidárias representam a escolha política dos candidatos, mas o registro oficial só ocorre posteriormente junto à Justiça Eleitoral.

Isso significa que, mesmo após ser homologado na convenção nacional, Flávio Bolsonaro ainda poderá desistir da disputa ou ser substituído pelo PL antes do prazo final de registro das candidaturas.

Na prática, caso pesquisas eleitorais, negociações políticas ou mudanças no cenário levem a direção da legenda a rever sua estratégia, o partido ainda terá respaldo legal para apresentar outro nome ao TSE até 15 de agosto.

Crise entre Flávio Bolsonaro e Michelle permanece sem solução

Os bastidores do PL continuam marcados pelo desgaste provocado pelo rompimento entre Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

O conflito tornou-se público após Michelle divulgar um vídeo acusando o senador de tê-la humilhado e afirmar que ele disse que ela "não entendia de política". Apesar dos pedidos públicos de desculpas feitos por Flávio e das tentativas de mediação conduzidas pelo presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, a relação entre ambos permanece distante.

A permanência desse impasse alimenta dúvidas sobre a capacidade do PL de apresentar uma imagem de unidade durante a campanha presidencial.

Michelle Bolsonaro não participará da convenção nacional

Outro fator que reforça as especulações é a ausência confirmada de Michelle Bolsonaro na convenção nacional do PL, em São Paulo. Segundo informações do Valor Econômico, a ex-primeira-dama não participará do evento que deverá oficializar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

A decisão representa um revés para Valdemar Costa Neto, que trabalhava para reunir Michelle e Flávio no mesmo palco como demonstração pública de reconciliação.

Apesar da ausência em São Paulo, Michelle deverá comparecer à convenção do PL no Distrito Federal, marcada para 5 de agosto, onde cresce a expectativa de que anuncie sua candidatura ao Senado.

Cuidados com Jair Bolsonaro influenciaram decisão

Aliados afirmam que Michelle Bolsonaro tem dedicado grande parte de seu tempo aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que permanece em prisão domiciliar e enfrenta problemas de saúde.

Por esse motivo, a convenção do Distrito Federal, realizada em Brasília, facilitaria sua participação. Ainda assim, interlocutores próximos afirmam que ela não definiu oficialmente se disputará uma vaga ao Senado.

Valdemar tentou promover reaproximação

Em declaração feita no início de julho, Valdemar Costa Neto afirmou que pretendia resolver o conflito entre Michelle e Flávio antes da convenção nacional.

Na ocasião, o dirigente afirmou: "Não podemos sair brigando dentro de casa, temos que acertar isso aí em 20 dias, porque a nossa convenção nacional vai ser dia 25."

O objetivo era apresentar uma imagem de unidade durante o lançamento oficial da candidatura presidencial, estratégia que perde força com a confirmação da ausência da ex-primeira-dama.

Candidatura de Michelle influencia disputa no Distrito Federal

A definição de Michelle Bolsonaro também interfere diretamente na estratégia eleitoral do PL no Distrito Federal.

O partido deve apoiar a reeleição da governadora Celina Leão (PP). Caso Michelle confirme candidatura ao Senado, deverá ocupar uma das vagas da chapa.

Se decidir não disputar, permanecem como alternativas o senador Izalci Lucas, que avalia buscar a reeleição, e a deputada federal Bia Kicis, que já iniciou sua pré-campanha.

Izalci também cogita disputar o Governo do Distrito Federal, hipótese que tende a perder força caso seja consolidado o apoio do PL à candidatura de Celina Leão.

Rompimento ocorreu durante disputa por alianças estaduais

A crise entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro começou durante as negociações para definição dos palanques estaduais.

Um dos principais pontos de divergência ocorreu no Ceará, onde Michelle se posicionou contra uma aliança com o ex-governador Ciro Gomes e não conseguiu viabilizar a candidatura ao Senado de sua aliada, a deputada Priscila Costa.

O episódio culminou na divulgação do vídeo em que a ex-primeira-dama acusou o enteado de tratá-la com desrespeito, tornando público um conflito que até então permanecia restrito aos bastidores do partido.

Pedido de desculpas não encerrou crise

Após a repercussão do caso, Flávio Bolsonaro divulgou um vídeo pedindo desculpas a Michelle. Em outro evento, afirmou respeitar a ex-primeira-dama e destacou sua atuação à frente do PL Mulher.

Segundo o senador: "Ela vai caminhar junto com a gente porque sabe que o Brasil não suporta mais quatro anos de PT."

As manifestações, entretanto, não produziram uma reaproximação pública entre os dois, mantendo a divisão dentro do partido.

Militância do PL permanece dividida

A disputa também provocou reflexos entre os apoiadores da legenda.

Uma parte da militância passou a defender a posição de Flávio Bolsonaro, argumentando que ele foi escolhido por Jair Bolsonaro para representar o grupo político na eleição presidencial.

Outro segmento permanece ao lado de Michelle Bolsonaro, que mantém forte influência entre o eleitorado feminino e lideranças evangélicas.

Enquanto isso, o calendário eleitoral mantém aberta a possibilidade de mudanças. Mesmo que Flávio Bolsonaro seja oficializado candidato na convenção nacional de 25 de julho, o PL poderá alterar sua candidatura presidencial até o registro definitivo no TSE, previsto para 15 de agosto, caso a direção partidária considere necessário rever sua estratégia eleitoral.


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