ABANDONADO: Militares pedem que Bolsonaro não seja preso em quartel
Exército rejeita custódia de Bolsonaro em quartéis e STF avalia alternativas
O Exército Brasileiro comunicou extraoficialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não aceitará abrigar Jair Bolsonaro em quartéis, caso o ex-presidente seja condenado a cumprir pena em regime fechado no processo sobre a tentativa de golpe após as eleições de 2022. A decisão marca um rompimento simbólico: após anos de blindagem e deferência ao capitão reformado, a cúpula militar deixa claro que não pretende dividir espaço com ele.
Nos bastidores, a expectativa é de que a prisão de Bolsonaro seja quase inevitável, com a definição da dosimetria prevista para esta sexta-feira (12). Há, no entanto, a possibilidade de o ministro Alexandre de Moraes autorizar prisão domiciliar temporária por motivos de saúde — medida que não afastaria a necessidade de definir o local definitivo de custódia.
Entre as alternativas avaliadas estão a Superintendência da Polícia Federal em Brasília e o Complexo Penitenciário da Papuda. A primeira remete ao precedente de Luiz Inácio Lula da Silva, que passou 580 dias preso em Curitiba, mas carrega o risco de reforçar entre bolsonaristas o discurso de perseguição política por ser um órgão federal. Já a segunda opção, considerada mais provável, tem caráter punitivo e peso simbólico, o que também poderia alimentar a narrativa de vitimização explorada pelo ex-presidente.
A hipótese de recolhimento em instalação militar foi descartada de imediato. Generais argumentam que a presença de Bolsonaro em um quartel geraria constrangimentos institucionais e risco de transformar o local em ponto de “romaria” de apoiadores, repetindo o cenário dos acampamentos golpistas que antecederam o 8 de Janeiro. Diferentemente daquela ocasião, desta vez caberia às próprias Forças Armadas conter manifestações, tarefa que não estão dispostas a assumir para evitar novas acusações de favorecimento.
De acordo com oficiais de alta patente ouvidos pela Folha de S.Paulo, Bolsonaro gostaria de ser enviado a um quartel, seguindo o exemplo do general Walter Braga Netto, réu no mesmo processo, que está detido em uma sala da 1ª Divisão do Exército, no Rio de Janeiro. Mas a memória recente da mobilização de apoiadores em frente a unidades militares pesa na decisão.
A Papuda, embora cotada como destino provável, enfrenta problemas graves de superlotação. Relatório do Ministério Público apontou, no fim de 2024, a presença de 16.151 detentos, 48% acima da capacidade. Há registros de celas projetadas para oito pessoas ocupadas por até 25.
Paralelamente, ministros do STF não descartam a prisão domiciliar, dado o histórico de problemas de saúde de Bolsonaro, que aos 70 anos sofre com crises de soluço, gastrite e infecções pulmonares recorrentes.
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