Teresina: entre Cruzes, Espadas e Girassóis

Teresina carrega em seus últimos anos momentos tortuosos, tenebrosos e de muitos maus-tratos ao seu povo guerreiro

Foto: PensarPiauí

Teresina

Por Leonardo Fialho Machado Nogueira, Secretário de Cultura do PT - PI

Teresina carrega em seus últimos anos momentos tortuosos, tenebrosos e de muitos maus-tratos ao seu povo guerreiro, batalhador, que derrama o suor de cada dia para trazer o sustento de suas respectivas famílias. Ainda na década de 90 iniciou-se uma dinastia como aquelas da antiguidade, em que o monarca manda, o clã executa e os seus servos são quase que obrigados a obedecer, carregando o gosto bem amargo e sanguinário de cruzes, não pelo seu peso ou tamanho, mas por toda a sua lamúria e tortura. Como diz uma linda música que virou jingle de campanha: “Uma cidade parece pequena, se comparada com um país, mas é na minha, na sua cidade, que se começa a ser feliz”.

Conhecer Teresa Cristina de norte a sul não é tarefa fácil. Significa muito mais que passar 30 anos e as mesmas galerias ainda por fazer, praças, campos de futebol e pontos de cultura ainda ociosos por falta de vontade, o que demonstra desamor, deselegância e a ausência de empatia com seu povo. Lutar em Teresina tornou-se tarefa para as comunidades e seus líderes. Árdua como as latas d’água que a periferia carrega para matar a sede dos seus, valente como as manifestações por mais saneamento em vias públicas e o lamento das lágrimas derramadas pela ausência de vagas nos postos de saúde dos fortes bairros deste horizonte infinito da capital do Piauí. A cruz ainda se traduz no muro de lamentações que paira no ar, nos sorrisos mornos, nos cantos dos pássaros que pela fumaça cinzenta das fábricas não têm a mesma intensidade do azul anil em céu estrelado como se assim fosse, onde fecunda o infinito verde da esperança de um povo sofrido, mas que nunca perde seu brilho e nem sua vontade de vencer.

Assim caminha a linha do tempo, cruel, sem pontos de exclamação que possa ser exaltada como troféu, nem tampouco medalha que possa ser fotografada nas diversas molduras, placas envelhecidas já torturadas pela erosão dos ventos quentes, daquela que traduz valores, nomes e CNPJs batidos de tanto gastar latas de tinta. Com o tempo surgem algumas espadas, apresentando-se ao povo como lanças afiadas, com o ilusionismo poder de cortar, moldar e resolver, no entanto, elas se dobram, amassam e se perdem no tempo. Na verdade as filas de espera por resolutividade só aumentam e o anseio acelera na medida em que cresce a sede de saciar até a fome das vilas e favelas, logo em seguida, vem à decepção de que na verdade as espadas nunca foram sequer afiadas, nem tiveram o cuidado de colocar cabos para pegá-las possibilitando o corte imediato das mãos calejadas de quem as pegou para a labuta diária no corte do alimento para seus animais.

Seguindo a linha do horizonte, logo ali perto do infinito sabe? Aproximados passos incontáveis do último fio de sorriso da criança abandonada pelo esquecimento, e a dor de não poder dar o último abraço em seu ente querido devido a pandemia que nos assola, eis que surge as cores, o brilho do verbo esperançar, um velho amigo da possível felicidade onde todos e todas podem ser felizes com a mínima certeza da dignidade. Numa ponte pouco analisada, mas muito movimentada, surge a contradição entre o brilho do sol intenso e a simplicidade de uma flor. Em que seu significado se tornou política pública, pois esperança sempre vai ser sinônimo de fé, verdade e o despertar de novos tempos e novas eras, surge o Novo Olhar para Teresina, através do amarelo radiante dos girassóis da ponte JK, da velha ponte sem pintura, sem cuidado que se tornou ponto de parada para retratos, vídeos, conversas e até reflexões de vida. Criam-se hábitos, uma nova realidade todas as noites, até o sol mudou de rumo e a sua forma de olhar, pois a certeza de que esperançar é o melhor verbo entre os humanos alimenta qualquer fonte de luz, de vigor, de energias e a capacidade de fortalecimento, revigora a alma e dá uma “Nova” roupagem aos limites do que se pode imaginar à cidade verde.

Um Novo Olhar para Teresina pode ser visto até como supérfluo, algo estranho ao cotidiano, porém, é preciso analisar a simplicidade das coisas por aqui, do contrário veremos o mesmo filme em todas as sessões deste cinema fantasioso que é viver os dias, tardes e noites tristes e sem capacidade do simples caminhar. Vamos regar os girassóis e vislumbrar Um Novo futuro? Que tal plantar, regar, colher e replantar um Novo brilho no olhar das pessoas? Pensar um Novo fruto em árvores velhas e sofridas não é pecado, no entanto, permanecer com as mesmas árvores sem regar, cuidar e florescer produz frutos cansados e falidos. Topa pensar Um Novo Olhar para Teresina? Vamos ESPERANÇAR que com o NOVO ele virá e será feito muito mais por Teresina.