Pensar Piauí

Relembrando outros carnavais: a modelo sem calcinha e o presidente da República

Ela disse depois que usava um collant cor de pele. Usava nada.

Foto: Montagem pensarpiauiLilian Ramos no carnaval com Itamar Franco e em fotos mais recentes
Lilian Ramos no carnaval com Itamar Franco e em fotos mais recentes

 

Por Ricardo Noblat, jornalista, no Metrópoles 

Quando vi a foto levei um susto. Sabia que o presidente tinha fama de namorador, e que dera em cima (no sentido figurado) de uma colega nossa muito atraente.

Mas, ir ao sambódromo exibir-se ao lado de uma jovem modelo cearense de 29 anos que estava sem calcinha? Ela disse depois que usava um collant cor de pele. Usava nada.

Estava ali porque um tal de Valdemar Costa Neto, ligado à Empresa Brasileira de Turismo e político em ascensão, preocupou-se com o bochicho que corria em Brasília.

Dizia-se entre os desafetos do presidente que ele era dependente da mãe, nada fazia sem consultá-la, e que passava a imagem de homem pouco viril. Para completar, era solteiro.

Em conversa com assessores do presidente, Valdemar tocou no assunto, e de comum acordo com eles, decidiu levar um bando de garotas ao encontro do presidente na Sapucaí.

Foi no carnaval de 1994, quando a Imperatriz Leopoldinense conquistou o título de campeã com o enredo “Catarina de Médicis na Corte dos Tupinambôs e Tabajeres”.

Como se viu na madrugada de hoje, falar de índios sempre chama atenção. Salgueiro levou para a avenida a história de beleza e de sofrimento dos Yanomamis, povo ameaçado.

A princípio, no camarote presidencial, ninguém notou que Lílian Ramos, sósia da cantora Fafá de Belém, estava sem calcinha. Soube-se depois porque fotógrafos avisaram.

Foto: Fernando QuevedoMarcelo Carnaval e a foto histórica: Itamar Franco, Lilian Ramos e... a falta de calcinha
Marcelo Carnaval e a foto histórica: Itamar Franco, Lilian Ramos e... a falta de calcinha

Foi Marcelo Carnaval o fotógrafo que melhor ângulo registrou.

Claro que só avisaram depois de fotografá-la ao lado do presidente Itamar Franco, que sucedeu a Fernando Collor, alvo de um impeachment sob a acusação de ser corrupto.

Alguns jornais, poucos, publicaram a foto em suas primeiras páginas, mas encobrindo com tarja o ponto alto da festa. Durante mais de uma semana, foi só o que o país comentou.

Os comandantes das Forças Armadas enfureceram-se. E começaram a tramar um golpe. Tinham um candidato ao lugar de Itamar: o coronel da reserva Jarbas Passarinho.

A ditadura havia acabado nove anos antes com a eleição de Tancredo Neves, que morreu sem tomar posse. Assumiu o vice, José Sarney. O país ganhou uma nova Constituição.

Não houve golpe, como não houve em dezembro de 2022 nem em janeiro de 2023 para impedir que Lula governasse. Passarinho não topou a aventura, e a trama foi esquecida.

Sobrou para Lílian. Que de tanto ser chamada de vadia, exilou-se na Itália, onde ainda vive aos 59 anos. Itamar morreu solteiro depois de muito namorar às escondidas.

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