Picos e o enfrentamento ao coronavírus

Padre Valmir, prefeito de Picos, relatou procedimentos adotados pela prefeitura para combater a pandemia

Foto: Cidades na NetPadre Valmir
Padre Valmir

 


Por Oscar de Barros, jornalista

Ontem conversei por telefone com o Padre Valmir, prefeito da cidade de Picos. A intenção era ter uma visão geral desta importante cidade do Piauí no enfrentamento à pandemia do coronavírus, sob a ótica do poder executivo local.

No início do relato o padre foi logo confessando: “a gente via as notícias do mundo e a informação de que chegaria ao Brasil, mas não esperava que chegasse dessa forma. Quando os números foram nos aproximando da doença vimos que a coisa era séria mesmo”.

O padre disse que decretou o isolamento social na cidade em 30 de março e que vai até o final deste mês. Se até lá a análise indicar que não está havendo gravidade na situação sanitária, progressivamente, os setores que estão fechados vão receber ordem para retomada das atividades.

O padre informou que de início os lojistas aceitaram bem o decreto de isolamento social mas que a pressão para o retorno dos trabalhos está aumentando. “Organizações de lojistas, lojistas individualmente e até mesmo políticos, acionados por eles, estão me pressionando” – reclamou o prefeito.

Se os empresários de Picos querem o fim o isolamento, isto não acontece do ponto de vista da população, padre Valmir informou que a população quer ficar em casa.

Ações da prefeitura

A prefeitura logo cedo criou um “Comitê de Saúde”. Este, deu formação a médicos e enfermeiros além de criar um espaço para tirar dúvidas da população.

A prefeitura tem o auxílio da Polícia Militar, da Polícia Rodoviária e do Ministério Público e, conjuntamente, fazem fiscalização em casas comerciais, eventos e festinhas particulares.

O prefeito designou o fechamento das entradas da cidade de Picos. Em tempos normais, a cidade recebe de municípios vizinhos mais de 300 vans por dia transportando pessoas que vão procurar serviços em Picos. Agora foram estabelecidas barreiras nas estradas e só passam casos especiais. Na área de transporte uma coisa preocupa o padre Valmir. Segundo ele, na cidade há duas empresas de ônibus clandestinos que fazem a linha Picos/São Paulo/Picos e, exatamente, pelo fator clandestinidade, o controle fica difícil.

Outra ação tomada na área dos transportes: o Secretário de Transporte telefonou para cidades da Bahia, Pernambuco, Ceará, Tocantins e Maranhão informando o cerceamento nas entradas de Picos e pedindo para que alertassem a população local sobre a impossibilidade de frequentar a cidade piauiense.

Disse o padre: “Picos é um entroncamento rodoviário dos maiores do Nordeste, por aqui passa gente oriunda de muitos estados brasileiros. São caminhoneiros, ônibus, muitos carros passando por nossas estradas e isto nos deixou muito preocupados.”

 A prefeitura tem feito a pulverização de ruas, locais públicos e residências. Tem distribuído a merenda escolar na casa das famílias dos alunos e as aulas estão suspensas desde 15 de março. A prefeitura recebeu donativos suficientes para a confecção de 1.500 cestas básicas que foram distribuídas às famílias mais necessitadas. Junto com a Caritas tem atendido a população de rua da cidade com alimentação, assistência médica e vacinação.

Por fim, padre Valmir informou que está adquirindo 3.500 testes rápidos e mandou confeccionar 10.000 máscaras reutilizáveis.

Até ontem Picos tinha o registro de 2 casos de coronavírus: uma enfermeira que já se curou da doença e uma senhora que não resistiu e morreu.

Picos conta com 10 unidades de UTI e estará recebendo mais 10 nos próximos dias (as 20 com respiradores). Além das UTIs, a cidade tem mais 50 leitos para receber pacientes com sintomas do coronavírus.