Piauí tem maior crescimento de rendimento pessoal e o segundo maior indicador de desigualdade do Brasil

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua

Foto: Google ImagensNúmeros do Piauí na PNDAc
Números do Piauí na PNDAc

O IBGE divulgou semana passada os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) sobre os rendimentos de todas as fontes em 2018. Nessa pesquisa investiga-se, regularmente, informações sobre os rendimentos provenientes de todos os trabalhos, bem como também de outras fontes de renda do brasileiro, dentre as quais aquelas provenientes de aposentadoria, pensão de previdência pública, aluguéis, seguro-desemprego, pensão alimentícia, transferências do Bolsa Família, benefício de prestação continuada (LOAS).

No Piauí, os números da PNAD Contínua revelam a seguinte realidade:

-  o estado tem o segundo maior indicador de desigualdade de rendimento da população no Brasil (índice de GINI)

- piauienses na classe dos 10% de maior rendimento ganham 72 vezes mais que as pessoas na classe dos 10% de menor rendimento - MAIOR VALOR REGISTRADO NO BRASIL.

- segundo maior contingente de domicílios que recebem BOLSA FAMÍLIA no Brasil (33,8% dos domicílios recebiam BOLSA FAMÍLIA)

- terceiro menor rendimento médio real da população no Brasil, considerando o rendimento de TODAS AS FONTES, apesar de ter sido o Estado que apresentou o maior crescimento do rendimento pessoal no país de 2012 a 2018, de cerca de 16,4%

 

- segundo menor rendimento médio real da população no Brasil, considerando o rendimento EXCLUSIVAMENTE DO TRABALHO, apesar de ter sido o Estado que apresentou o maior crescimento do rendimento pessoal no país de 2012 a 2018, de cerca de 19,4%

- as mulheres têm um rendimento médio de cerca de R$ 1.337,00, cerca de 90% do rendimento dos homens, média maior que a verificada para o Brasil (79%)

- pessoas de cor ou raça preta têm um rendimento médio de 52% do valor do rendimento médio das pessoas de cor branca (terceiro menor valor do Brasil)

As jornalistas Helenas Chagas e Denise Arrais, ambas do Jornalistas pela Democracia, registraram os números nacionais observando que a pesquisa aponta o Brasil entre os 15 países mais desiguais do mundo, além de exibir o que consideram o "dado mais devastador dos últimos tempos": "os 1% mais ricos do país, ou seja, o topo da pirâmide, ficou 8,4% mais rico ainda. Em compensação, na base achatada dos miseráveis, que se constitui dos 5% mais pobres a renda mensal caiu 3,2%."

A pesquisa mostra, ainda, que existem mais 600 mil pessoas na lista dos que vivem com apenas R$ 90,00. "Dá para imaginar? Não. Melhor não", observam. Esse é o número de brasileiros que passaram a integrar a pobreza extrema (os que vivem com menos de US$ 1,90 per capita por dia), que passou de nove milhões para 13,6 milhões (aumento de 7,22%). "É mais ou menos como se, em cada um dos últimos cinco anos, mais um milhão de pessoas tivesse entrado na miséria", declara Helena Chagas.

Até 2014, o que se via no Brasil eram pessoas saindo da linha de pobreza. 

"O lado mais nefasto da radicalização política que vive hoje o país talvez seja esse dar de ombros de boa parte dos políticos, sobretudo os do governo, à miséria que aumenta. É como se, ignorando os dados do IBGE, eles não existissem – e não trouxessem à memória coletiva a narrativa dos governos dos adversários petistas, que tiveram como obra principal a retirada de milhões de pessoas da pobreza. Como eles não gostam do PT, e morrem de medo que ele volte, ignoram a pauta da miséria. Não dão o braço a torcer para encarar o problema de frente.

A miséria não tem cor nem partido. Quem se elege num país como o nosso nãoh pode deixar de ter a questão social como centro de tudo", lamenta, quanto à posição adotada pelo Governo Federal de ignorar os números.

"Não é “retórica”. É estatística. É o golpe traduzido em números. E a previsão dos economistas é a de que o quadro só poderá iniciar alguma reversão em 2030. Não era só tirar a Dilma?", indaga a jornalista Denise Arrais.