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O "Véi da Havan" mudou? Agora ele é bonzinho?

Empresário bolsonarista dos mais extremistas falou em tom diferente em meio à tragédia ocorrido com os gaúchos

Foto: Juliana SaldanhaLuciano Hang
Luciano Hang

 

Fórum - O empresário Luciano Hang, conhecido em todo o Brasil como “Veio da Havan”, despensa apresentações. Bilionário, o catarinense de Brusque fundou uma loja que se tornou um império, mas ficou famoso mesmo por ser um bolsonarista ferrenho, de primeira hora. Vestido com patéticos paletós nas cores verde e amarela, ele esteve todo tempo ao lado de Jair Bolsonaro (PL) nos caóticos anos de seu governo, e ainda por cima envolveu-se em tal nível com o ex-presidente que hoje é investigado e acusado de ser um dos financiadores da tentativa de golpe de Estado perpetrada pelo líder da extrema direita brasileira após a derrota para Lula (PT) nas urnas, em 2022.

Agora, “sumido” das redes sociais e após deixar de lado suas falas incendiárias, radicais e conspiratórias, Hang surge ainda mais “água com açúcar” e dá uma declaração surpreendente sobre a tragédia do Rio Grande do Sul, devastado pelas chuvas e pelas enchentes nas últimas semanas. Seus negócios sofreram um baque de pelo menos R$ 30 milhões, com duas lojas totalmente destruídas e outras danificadas.

“Neste momento de caos, de catástrofe, temos que nos unir em prol do povo gaúcho e não polarizar. Eu tenho dito que o poder público está ajudando. O poder civil está ajudando, e todos ajudando pelo povo gaúcho. Neste momento, não devemos polarizar uma catástrofe como esta”, disse o bilionário de extrema direita em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

As falas quase elogiosas a todos os atores políticos, sem qualquer resquício de suas declarações extremistas de direita de um passado recente, não pararam por aí. Ele fez questão de citar positivamente o governo federal e a gestão estadual do Rio Grande do Sul, o que normalmente jamais faria.

“Estou voltando pela terceira vez para o Vale do Taquari. Eu vejo o Corpo de Bombeiros, a Brigada Militar, o Exército, a Marinha, a Aeronáutica, a sociedade civil organizada, todos ajudando. Não é hora de dividirmos o povo brasileiro. Tem que unir para resolver esse problema. Não pode haver política numa coisa como essa. Quando eu falo em governo são os três: municipal, estadual e federal. Todos os órgãos. Todos estão querendo fazer o seu melhor”, acrescentou Hang.

Claro que um tiquinho de bolsonarismo não poderia faltar. Questionado sobre “mudanças climáticas”, o “Veio da Havan” deu uma resposta discreta e sem alardes, mas que deixou claro seu negacionismo.

“Somos PhD em enchentes. Nós moramos no Vale do Itajaí (em Santa Catarina, seu estado natal). Nas nossas cidades, Blumenau, Gaspar, Brusque, isso acontece quase que anualmente. A maior que eu vivi foi em 1983, e nunca mais teve uma enchente como aquela. O que eu quero crer é que talvez eu não viva mais um momento de uma catástrofe como esta. É nisso que eu quero crer. Acho que foi uma tempestade perfeita que aconteceu, em que tudo culminou na tragédia que estamos vivendo agora. Se olharmos para trás, nunca aconteceu. E pode ser que, para a frente, também não vá acontecer”, disse o empresário.

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