Lula gosta do samba, Bolsonaro é ruim da cabeça e doente do pé

Lula gosta do samba, Bolsonaro é ruim da cabeça e doente do pé


Da épica obra do baiano Dorival Caymmi peguei um trecho de "Samba da minha terra" e com um trocadilho enunciei o texto de hoje.
E ele fala de Lula e sua relação com a arte, com a música.
Lula esta preso injustamente e o Brasil luta para vê-lo liberto. A música é uma dessas  formas de luta.
Lula é um sujeito sensível e sabe o poder da cultura musical de um povo, por isso, a respeita, valoriza e estimula.
Hoje acontece mais uma edição do Festival Lula Livre. Mais informações vêem logo a seguir, e após elas um texto do sambista Martinho da Vila que faz parte de um livro seu publicado recentemente. Nele, Martinho relata a visita que junto com Chico Buarque fez a Lula na prisão em Curitiba.

FESTIVAL LULA LIVRE
Na tarde de hoje, acontece a terceira edição do Festival Lula Livre na Praça da República, em São Paulo, a partir das 13h. O evento em defesa da liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reúne mais de 35 artistas e grupos em shows gratuitos.
Entre os confirmados estão Emicida, Rael, Criolo, Baiana System, Aíla, Dead Fish, Chico César, Filipe Catto, Mombojó, Odair José, Otto, Thaíde, Junu, Everson Pessoa, Unidos do Swing, Francisco El Hombre, Arnaldo Antunes, Slam das Minas, Bia Ferreira, Doralyce Soledad, Lirinha, Ilú Oba de Min, André Frateschi e banda, Márcia Castro, Zeca Baleiro, Isaar, Junio Barreto, Fernanda Takai, MC Poneis, Tulipa, Chico Chico e Duda Brack, Mistura Popular, Triz, Anelis Assumpção e Drik Barbosa.
Organizado pelo Comitê Nacional Lula Livre, Instituto Lula, Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, o festival recebe apoio financeiro por meio de colaboração virtual, que ainda está aberta para contribuições.
Diversas páginas e perfis em redes sociais transmitem ao vivo o festival, incluindo o Brasil de Fato, além do Instituto Lula, a teleSUR, a TVT e a Rádio Brasil Atual.

Outras edições


No dia 28 de julho de 2018, o Rio de Janeiro (RJ) foi palco da primeira edição do Festival Lula Livre. O evento reuniu 60 mil pessoas nos Arcos da Lapa e teve shows de Chico Buarque e Gilberto Gil.
segunda edição do festival aconteceu em 16 de setembro na Avenida Paulista, São Paulo (SP), e teve shows da cantora Ana Cañas e do músico pernambucano Otto, entre outros.

Amigo é para estas coisas (agosto de 2018)
Por Martinho da Vila*


Visitar amigo que está hospitalizado ou recluso é um grande sofrimento. Foi triste ver o Arlindo Cruz no hospital. Veio à mente a imagem da Rosinha de Valença, violonista preferida. Ela ficou doze anos em coma.
A Beth Carvalho está acamada, volta e meia conversamos por telefone.
Nestes casos, um posicionamento é só comparecer quando muito aguardado e com certeza de que a visita vai proporcionar alguma alegria a quem está enfermo, mas fica a sensação de impotência por não poder fazer nada e causa um abalo por muitos e muitos dias. O mesmo acontece com visita a presidiários. Melhor é mandar uma mensagem.
Ao saber que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava no aguardo a uma visita, o contato com um dos advogados dele foi por telefone:
– Alô!
– Bom dia Dr. Ferreira!
– Bom dia! Sua voz é inconfundível.
– Não nos conhecemos pessoalmente, mas algumas vezes nos falamos e a sua também já é familiar. Somos da nobre Família Ferreira. (O nome do sambista é Martinho José Ferreira, e Lula o trata por Ferreira.)
– Nobre e imensa.
– Muito grande mesmo… E importante. Temos o Procópio ator, a Bibi atriz, o Ferreira poeta…
– E o Virgulino Lampião. Pertencemos a uma das maiores famílias do Brasil, só perdemos para os Silva.
– Por falar neles, como vai o nosso?
– Está bem. Apenas um pouco irritado pelas ordens ou desordens dos juízes e desembargadores. Num mesmo dia mandaram soltar, prender, soltar de novo, prender novamente… Agora está calmo, aguardando a sua visita.
Esta conversa ocorreu no meado do mês passado. O Dr. Manoel Caetano Ferreira perguntou se seria possível ir visitá-lo na quinta-feira, dia 3 deste agosto. Lamentavelmente não poderia, por causa de compromissos artísticos em Juazeiro e Petrolina. Porém aconteceu que a Lídia Costa, responsável pela agenda profissional, alguns dias após informou sobre o cancelamento dos shows. Imediatamente:
– Alô meu xará Ferreira! Soube agorinha que não vou mais viajar e posso ir ver o Silva Presidente.
– Há um problema. A Dona Cléo pode ir, mas não poderá entrar. Já agendei com o Chico Buarque e só são permitidas duas pessoas. A Carol ia com ele, também não vai. Posso agendar você e o Chico. Sua esposa poderá ficar esperando em uma sala confortável, a do Chefe da Polícia Federal, em companhia da Gleisi Hoffmann.
– Um momento, por favor, vou falar com ela.
Um tanto frustrada, Cléo concordou. Viajou comigo, comprou umas flores para o Lula e eu, finalmente, pude rever o Seu Inácio. Cheguei bastante apreensivo, devagar, devagarinho, calculando que ele estaria de “teto baixo”. A prisão provoca um estado depressivo, difícil de ser contornado. Que nada! Cruzamos os olhares e abriu um sorrisão.
– Alô Seu Ferreira! Até que enfim, hein!
– Oi Seu Da Silva!
Saudou, e abraçamo-nos efusivamente. Ao receber as flores, inquiriu galhofando:
– A tua mulher ainda é aquela gaúcha de São Borja que eu conheci em Belo Horizonte no lançamento de um livro seu?
– Ela mesma. É sua admiradora, tipo fã. Evangélica sem fanatismo, ora por você quase todos os dias, vai a manifestações pela sua liberdade com uma camisa que tem a inscrição “Lula ladrão, roubou meu coração”.
O sério Chico Buarque sorriu.
Sem falar muito, o Chico menos ainda, ficamos os três conversando aleatoriamente sobre futebol, música e literatura. O Lula tem pouca escolaridade, mas é bastante culto porque lê muito. Ele é o brasileiro que tem mais títulos de Doutor Honoris Causa outorgados por universidades daqui e do exterior e está, de fato e de direito, em prisão especial, com banheiro próprio, televisão… Falamos sobre a detenção domiciliar que os advogados conseguiriam se ele abrisse mão da candidatura e ele disse “não troco a minha dignidade pela liberdade.” E falou que não deseja sair da prisão enquanto não apresentarem uma prova contra ele.
O que mais o sensibiliza é a vigília que centenas de pessoas fazem dia e noite próximo ao lugar onde ele está. De manhã ele ouve:
– Bom dia, Presidente Lula!
A frase é repetida também ao anoitecer, por muitas vozes:
– Boa noite, amigo Lula!
Quase no final da visita o Dr. Rocha, um amigo antigo que também é um dos advogados, entrou na sala com o Dr. Ferreira e a Gleisi Hoffmann. Notamos que eles tinham assuntos reservados para tratar, nos despedimos e saímos.
No caminho até a sala onde me aguardava a Cléo, paramos várias vezes para fotos com policiais federais simpáticos. Antes de partirmos, a Cléo pediu ao Chico para posar em uma fotografia conosco, chamou o delegado-chefe, entregou-lhe o seu iPhone e ele, gentilmente, tirou.
A foto viralizou.
Alguns fãs, raivosos, criticaram a ação da visita. Ficaram sem resposta. Iria responder, educadamente, dizendo que não se abandona um amigo na adversidade, mas foi melhor o silêncio, pois não deu margens para tréplicas.
*Do livro de crônicas 2018 – Crônicas de um ano atípico (Editora Kapulana), 205 págs.
Bem, e sobre o atual presidente, o que falar?
- Bom sujeito ele não é!