Guarda Municipal emite nota sobre caso de travesti agredida em Teresina

GCM da capital piauiense é acusada de ser conivente com o caso de tortura

Foto: Redes SociaisMomento que a travesti foi espancada dentro de um carro
Momento que a travesti foi espancada dentro de um carro

O comandante da Guarda Civil de Teresina, André Viana, afirmou em entrevista ao portal OitoMeia que o episódio onde uma travesti é agredida por populares na presença de agentes municipais se trata de um “vídeo montagem”. O caso aconteceu no bairro Parque Brasil, zona Norte, e ganhou repercussão após ser divulgado nas redes sociais.

Na publicação feita pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), que possui mais de 10 mil seguidores, a força policial da capital piauiense é acusada de ser conivente com as agressões contra a suspeita, que teria furtado um apartamento da região.

O perfil publicou as imagens e questionou: “A vítima foi amarrada e espancada. Jogada no chão e a guarda municipal não tomou nenhuma atitude para impedir a tortura”.

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) também esclarece, através de postagens, que está ciente do roubo realizado pela travesti, mas que isso não justifica ‘fazer justiça com as próprias mãos’

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Em nota, a Guarda Municipal afirma que tanto a acusada como o agressor foram encaminhados à Central de Flagrantes para prestar os devidos esclarecimentos, e que não é conivente com atos de violência.

Confira a nota da Guarda Municipal na íntegra:

A Guarda Civil Municipal de Teresina (GCM) esclarece que atendeu a uma ocorrência no residencial Parque Brasil III, zona Norte de Teresina, nesta segunda-feira (19). Ao chegar ao local, a equipe encontrou com uma travesti amarrada, suspeita de furtar apartamentos na região. Após ouvir os envolvidos, os membros da corporação que acompanhavam a ocorrência orientaram que o suposto agressor a desamarrasse.

Na sequência, a suspeita foi algemada e, juntamente, com o suposto agressor, foram conduzidos à Central de Flagrantes de Teresina para apuração do caso. Sobre um vídeo em que a travesti aparece sendo espancada no porta-malas de um carro, a GCM não presenciou o fato, uma vez que chegou ao local posteriormente.

Em hipótese alguma, a Guarda Civil Municipal de Teresina defende que seja feita Justiça com as próprias mãos. Por fim, o comando da GCM vai avaliar se houve falhas no procedimento.

"O vídeo é montagem"

A primeira versão da história que se tornou pública é questionada por André Viana. Na versão do comandante, ao contrário do que foi divulgado, a equipe chegou ao local após as agressões. Segundo ele, no vídeo publicado pelo perfil, a ordem cronológica das ações teria sido invertida, dando a entender que os policiais presenciaram as agressões contra a travesti ainda aprisionada dentro do bagageiro.

“Um Instagram vinculou um pedaço da chegada da equipe com o momento em que ela estava sendo agredida. Mas isso não aconteceu nessa ordem cronológica. Esse momento em que ela estava sendo agredida foi quando foi pego pela população antes da equipe chegar, após a equipe chegar não houve agressão. A equipe evitou foi um linchamento maior e resguardou a vida dela”, defendeu.

O comandante afirmou que a Guarda foi acionada por moradores e assim que encontrou a travesti naquela situação determinou que os populares a tirassem do bagageiro. Nas imagens, um dos envolvidos a atinge com um chute e ainda amarrada, ela cai no chão. Neste momento, o vídeo mostra a presença de um guarda que observa tudo. Foi este momento da gravação também amplamente questionado nas redes sociais.

"Guarda não faz juízo de valor", diz comandante 

Segundo André Viana, no trecho os guardas ainda não tinham tomado ciência de que se tratava de um linchamento. De acordo com ele, no momento seguinte, a equipe agiu no sentido de evitar que o clima ficasse mais tenso e a travesti fosse mais agredida. Viana ainda frisou que toda a ocorrência aconteceu de forma rápida e que os policiais não fizeram juízo de valor. Assim, para esclarecer a situação, todos os envolvidos foram conduzidos até a delegacia.

“Nossa parte foi a condução. Conduzimos tanto a travesti quando os demais envolvidos. Não tinha como fazer juízo de valor, porque não sabíamos quem era quem, chegamos em uma ocorrência já em andamento”, declarou. “A equipe iniciou o diálogo, acalmando os ânimos. Pelo vídeo não dá para ver, mas havia uma população bem grande em volta, e [a equipe] foi tentar entender do que se tratava a ocorrência. Isso foi feito muito rápido, foi uma questão de 40 segundos […] Temos uma política de que não aceitamos essas questão de justiça com as próprias mãos. Não só a Guarda, mas a PM, tem que zelar pelo bem-estar de todas as partes envolvidas”, frisou. 

Através de um vídeo, a Guarda Municipal alega que esse seria o registro original do caso, sem cortes:

“Roubei pra gastar"

Outro vídeo que também repercutiu na internet, a travesti que foi presa, aparece em liberdade. Na gravação, ela revela o motivo pelo qual teria realizado o furto que a levou a sofrer as agressões.