Frente Piauí Popular - um balanço

Frente Piauí Popular - um balanço

Em agosto do ano passado, esteve em Teresina, Roberto Amaral, figura emblemática da esquerda brasileira, como bem cunhou Tarso Genro. Ele veio aqui fazer dois lançamentos, o do seu livro “A serpente sem casca” e da Frente Piauí Popular. Amaral, que é também cientista político, jornalista, escritor, político militante e ex-Ministro de Ciência e Tecnologia vinha implementando a idéia da frente política pelo Brasil e naquela oportunidade plantava a semente aqui no Piauí. Quase um ano depois, o pensarpiaui entrevistou José Carvalho e Neide Carvalho – integrantes da Frente piauiense. Eles falaram da atuação da Frente e das perspectivas que veem daqui por diante.
PENSAR PIAUÍ – Como nasceu a Frente Piauí Popular
ZÉ CARVALHO- A Frente Piauí Popular, na verdade, é uma composição feita por todo Piauí, da Frente Brasil Popular. Nós temos um grande movimento nacional criado com o objetivo de defesa da democracia e em função desse ambiente que o Brasil tem vivido desde o segundo mandato da Presidente Dilma. Depois da eleição da presidente Dilma, houve um inconformismo muito grande daqueles que foram derrotados em quatro eleições seguidas. A vitória da Presidenta Dilma em 2014, não foi assimilada por esses conservadores. Eles passaram a contestar o resultado da eleição, questionar a segurança das urnas eletrônicas, depois passaram a alegar abuso de poder político e econômico da Presidenta Dilma, formando paralelamente, via mídia e via grande estrutura econômica, um forte movimento de contestação do resultado da eleição.Em seguida, eles passaram a inviabilizar o segundo mandato da Presidenta Dilma, no Congresso Nacional numa imposição irracional, impedindo a aprovação de projetos importantes para o país, e isso foi gerando um clima de ingovernabilidade. Se formou em torno desse movimento conservador, uma ampla base parlamentar, contrária a presidente Dilma, que foi aos poucos apresentando propostas e proposições do impeachment, e uma delas terminou vingando, quando o presidente da câmara, Eduardo Cunha, admitiu essa proposição e deu encaminhamento a essa proposição de impeachment, sem nenhuma base legal, sem está amparada pela constituição, criando todo esse processo que chamamos de “Golpe”. A Frente Brasil Popular nasceu em torno disso, defesa da democracia, e defender a democracia nesse processo todo é defender o mandato da Presidenta Dilma, conseguido nas urnas e no debate com a população. A Frente Piauí Popular é uma representação do Piauí nesse movimento nacional.
PENSAR PIAUÍ- Qual é o contato da Frente Piauí Popular com a Frente Brasil Popular?
ZÉ CARVALHO - Nós temos um contato permanente, quase que diário, porque foram criados os Fóruns Nacionais da Frente Brasil Popular, e nós aqui temos uma representação e sempre que tem uma atividade da Frente, quer seja de manifestações, quer seja do fórum de decisões e deliberações, nós nos fazemos presentes, através das representações que escolhemos aqui.
PENSAR PIAUÍ – Como é a atuação da Frente Piauí Popular
NEIDE CARVALHO – Temos uma atuação bastante positiva, pois a Frente conseguiu aglutinar várias entidades, tanto do campo como da cidade, envolvendo todos os seguimentos, como trabalhadores rurais, partidos de esquerda que tem a frente o PT, PCdoB, PCO e ainda temos dialogado com vários outros partidos para podermos fazer o fortalecimento da Frente.
Podemos afirmar que a Frente Piauí Popular é uma ferramenta aglutinadora de forças das entidades e dos partidos que historicamente fizeram e fazem a defesa da questão da igualdade de direitos.
Temos uma agenda permanente de luta principalmente nas mobilizações de ruas com uma sintonia muito boa com a Frente Brasil Popular. Até agora conseguimos cumprir também toda a agenda nacional.
Em relação aos nossos principais debates, discussões e deliberações, toda segunda-feira, a partir das 16 horas, nos reunimos no Auditório da Federação Nacional dos Trabalhadores em Agricultura (FETAG). São plenárias abertas, onde não só a coordenação, mas todo e qualquer cidadão ou cidadã que desejar contribuir com o debate pode participar.
PENSAR PIAUÍ – Você acredita que o impeachment /da Presidente Dilma será derrotado no senado?
ZÉ CARVALHO – Nós entendemos que o impeachment é fruto de uma trama, que envolve o inconformismo da elite brasileira, somado a interesses de fora do Brasil, em especial dos Estados Unidos, que ao longo dos mandados do Presidente Lula e da Presidenta Dilma, os Estados Unidos viram o Brasil se firmar, primeiro como uma grande liderança na América do Sul e no Caribe, como também no cenário mundial, não só reafirmando a sua soberania, como também reafirmando um novo papel do Brasil na geopolítica.
Um exemplo disso, foi a criação dos Brics, o Brasil criou uma alternativa de relações políticas, diplomáticas, econômicas e sociais com a China, India, Rússia, África do Sul, e mais ainda, o Brasil firmou uma estreita relação com a África. O nosso país, hoje, é um país extremamente respeitado, pelas parcerias econômicas, técnico-científicas, e mais respeitado ainda na África, e de certa forma a Europa sempre mandou na África. O Continente Africano foi quase todo colonizado pelos Europeus, então lá, eles ainda tem um grande domínio e eles não aceitam que o Brasil se meta nas questões da África, pois eles consideram o território africano como deles.
Todas essas questões novas em que o Brasil se colocou no mundo, com sua firmação na América Latina, provocou a insatisfação por parte dos Estados Unidos e dos Europeus, por isso dizemos que há um interesse internacional do Golpe no Brasil.
Um desses grandes interesses por exemplo, é o pré-sal, porque na verdade o pré-sal representa para o Brasil de hoje o que o ouro representou no Brasil Colonial. Do jeito que os colonizadores comandados por Portugal e pela Espanha, na época, saquearam nosso ouro e outras riquezas como o Pau Brasil, hoje, eles estão de olho no pré-sal, que é realmente uma descoberta que coloca o Brasil em outro patamar do ponto de vista da produção de petróleo, mas também as consequências que a exploração do Petróleo trás para o Brasil um novo patamar econômico. Então, tudo isso está em jogo nesse momento.
A Frente Brasil Popular não vê outra saída a não ser mobilizar a população brasileira, com o sentimento democrático, progressista e de esquerda para barrar o Golpe, nós achamos que o momento é esse na segunda votação do senado, que será a votação definitiva. É claro que não é fácil, mas uma coisa que chama atenção agora é a deteriorização do Governo Temer, em um mês é um governo e o povo já enxerga nele algo desastroso, não só pelo fim das políticas sociais, mas ele cortou recursos para área da educação,onde cerca de 100 mil estudantes que estavam no Fies, ficaram de fora,ameaça cortar o subsídio da energia elétrica que implica em um novo aumento da energia elétrica, promove um desmonte no Sistema Único de Saúde (SUS).
Esse conjunto de ações do Presidente Interino, já provocou na população uma desconfiança muito grande, então a população já percebeu que não se tratava de combate a corrupção, mas realmente de grandes interesses econômicos, políticos, interesses externos. Eles querem varrer do mapa o governo que há mais de 12 anos já promoveu grande mudanças tão importante no Brasil, como a redistribuição de renda, um processo mais igual de desenvolvimento regional, pois a gente pode perceber que historicamente o desenvolvimento era concentrado nas regiões sul e sudeste do pais, e desde o governo Lula, esse desenvolvimento passou a ser mais igual. Esse Golpe também tem a cara de São Paulo, é um Golpe da elite paulista.
Existe também um certo sentimento de arrependimento de alguns senadores que por má fé ou por ingenuidade, acreditavam mesmo que essas pessoas que tomaram o poder no Brasil, através de um golpe, fosse mesmo combater a corrupção e o que a gente vê se revelando nas novas delações premiadas é que na verdade eles criaram um grupo de interessados em colocar um fim no combate a corrupção, ou seja, colocar fim na Lava Jato.
Nós acreditamos na possibilidade de reverter, mas revertendo ou não essa situação no Senado, nós vamos continuar com o processo de mobilização no Brasil para superar essa crise, derrotar o Golpe e retomar a normalidade do nosso país.
PENSAR PIAUÍ – A Frente Popular Piauí atua também nas questões políticas eleitorais?
NEIDE CARVALHO- Não,como já falei, a Frente é uma ferramenta aglutinadora dos movimentos sociais e dos partidos de esquerda . Hoje, nós fazemos essa discussão, claro, com esse olhar na questão da política, porque temos plena consciência que passou do tempo e que é urgente realmente consolidar e trabalhar a questão da reforma política.
Essa é uma pauta consenso dentro da frente, nós não trabalhamos a questão dos partidos ou das candidaturas, a gente trabalha a questão da necessidade urgente de uma reforma política, porque, infelizmente, esse modelo atual da política , do congresso, do senado e do próprio governo golpista que se instalou tomando de conta da cadeira da Presidenta Dilma, que foi eleita por mais de 54 milhões de votos de brasileiros e brasileiras que respeitam a constituição, isso é vergonhoso. Então, uma pauta que nos unifica e que é uma bandeira nossa é a questão da Reforma Política no Brasil.
PENSAR PIAUÍ – Quais as próximas atividades da Frente Popular Piauí
ZÉ CARVALHO – Nós vamos acompanhar os passos do processo de conclusão do impeachment no Senado, devemos ter manifestações, estamos tendo um processo de acompanhamento da posição dos senadores de todos os estado, inclusive aqui no Piauí, vamos acompanhar o dia da votação, vamos realizar um seminário nos dias 09 de julho aqui no Piauí, para debatermos a conjuntura nacional com mesas de debates sobre as políticas públicas do Brasil. No final do ano teremos a nível nacional um seminário da Frente Brasil Popular.

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