Firmino Filho vê possível catástrofe em Teresina

Por trás do desabafo do prefeito de Teresina, a consciência de que a situação poderá se agravar, se a população não seguir o isolamento social

Foto: 180 GrausPrefeito Firmino Filho prevê catástrofe em Teresina, se não mudar comportamento da população
Prefeito Firmino Filho prevê catástrofe em Teresina, se não mudar comportamento da população

O surpreendente desabafo do prefeito Firmino Filho, ao lamentar o comportamento de parte da população teresinense, que não está obedecendo as recomendações de manter o isolamento social, dão a medida da gravidade crescente do problema causado pela pandemia da COVID-19. E o caso local é só mais um exemplo do que acontece no País, em geral. O prefeito previu uma catástrofe em curso, em plena capital piauiense, infelizmente com a morte de muitas pessoas, inclusive conhecidas de muita gente.

Ele disso isso porque tem detectado que há circulação excessiva de indivíduos pela cidade, nos ônibus coletivos – muitos lotados –, estabelecimentos comerciais ainda abertos e espaços públicos, por razões fúteis ou muitas vezes desnecessárias. É um testemunho de que há desinformação ou irresponsabilidade, individual e coletiva, negligência ou descaso, de modo a não colaborar com o apelo das autoridades sanitárias e a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), no sentido do isolamento social.

O alerta do prefeito, portanto, reforçou sua rápida mudança de postura, já no início da crise, se colocando em sintonia com o governador Wellington Dias, que, ao lado de todos os governadores estaduais, também tem se destacado neste momento crítico da vida nacional. Um dos poucos deslizes de Firmino, durante a atual calamidade não apenas estadual, mas nacional, foi ter determinado a redução da frota de ônibus coletivos, no começo do processo de contágio generalizado ou contaminação comunitária, em todo o Brasil.

Irresponsabilidade inicial

Atendendo aos interesses dos donos das empresas de ônibus, que visam minimizar maiores prejuízos financeiros provocados pela redução drástica da circulação de teresinenses através do sistema de transporte público, ele determinou a redução da frota em andamento, obrigando-os a se deslocarem em veículos lotados. Sobretudo nos horários de rush ou pico. Como o contágio do coronavírus, àquela altura, dava mostras de que ganharia as proporções atuais, o gesto dele foi interpretado como irresponsável.

Como o negacionismo do presidente Jair Bolsonaro, a medida indicava minimizar a gravidade da pandemia, a exemplo da hesitação em suspender as aulas nas escolas municipais, as últimas a fazê-lo, depois que as estaduais, particulares e instituições de nível superior já haviam mandado seus alunos para casa. Mas, desde então, o prefeito mudou e tem mantido um comportamento responsável e comprometido com a população, ao longo do período instalado pela crise sanitária causada pelo coronavírus.

Esteve no Palácio de Karnak, quando do decreto de estado de calamidade pública, e reforçou as medidas de prevenção, como o fechamento do comércio, repartições públicas, restaurantes, espaços públicos e eventos. Manteve-as por mais 30 dias, seguindo as decisões do governo estadual, e agora fechou lojas de material de construção e autopeças. Ele sabe que os números de casos e mortes são maiores do que os oficiais. Há uma subnotificação importante, no Piauí e em todo o Brasil. Firmino é consciente de que todo cuidado é pouco.