Eleitores de Bolsonaro têm uma compreensão limitada da realidade

Há três tipos de eleitores que vão votar em Jair Bolsonaro em outubro

Foto: ReproduçãoBolsonaro
Bolsonaro

 

Por Felipe Machado, jornalista, na Isto É

Há três tipos de eleitores que vão votar em Jair Bolsonaro em outubro. A primeira turma é dos fracassados que veem nele o sucesso de um igual. Conheço vários e todos acreditam que a sociedade lhes deve algo a mais do que têm. Há também as pessoas de má fé, gente ruim, mesmo, como aquele empresário bolsonarista que acha que a solução do Brasil é “ter mais desigualdade”. E há ainda um terceiro grupo: as pessoas de baixa capacidade cognitiva, de compreensão limitada da realidade.

Vamos falar dessa terceira categoria.

Para contextualizar melhor o assunto, queria lembrar uma notícia que me chamou a atenção ao longo da semana: um membro do PCC conseguiu comprar sete armas, inclusive um fuzil, de forma legal, com o aval do Exército. Ele havia tirado o certificado de registro de CAC (caçador, atirador esportivo ou colecionador). Esse tipo de permissão explodiu durante o governo Bolsonaro graças à flexibilização que ele fez na legislação: hoje mais de 670 mil pessoas tem esse tipo de autorização, 967% a mais que em 2017. Na teoria, a lei proíbe que pessoas com antecedentes criminais tirem esse certificado, mas a ficha criminal do detido era longa: cinco indiciamentos pela Polícia Civil, sendo um por fraude processual, um por homicídio qualificado, um por roubo, um por tráfico ilegal de drogas e um por porte ilegal de arma de fogo.

Como um cara com esse “currículo” consegue tirar um certificado e comprar uma arma legalmente?

Por causa da incompetência do Exército brasileiro: foram eles que emitiram o certificado para um membro do PCC. Esse cara foi preso, mas imaginem só quantos criminosos estão entre esses 670 mil que tiraram a carteirinha…

Isso me leva a outra questão: como uma instituição que não consegue sequer impedir um bandido de comprar um fuzil pode acreditar que tem condições de dar palpites numa eleição presidencial? Se não conseguem nem fiscalizar as armas, assunto que eles teoricamente teriam que entender um pouco, como poderiam compreender o funcionamento de uma urna eletrônica?

É aí que me veio outra ideia, baseado apenas em um raciocínio pragmático. Se os criminosos do PCC estão conseguindo comprar armas legalmente, contra quem eles irão usá-las? Em confrontos com a polícia. Eles não vão atirar em clubes de tiro, caçar onças-pintadas ou guardar fuzis em lindas coleções: eles vão usar essas armas para matar policiais. Em quem boa parte dos policiais vai votar? Em Jair Bolsonaro.

Em um exercício simples de lógica, chego à conclusão de que os policiais que votam em Bolsonaro não conseguem compreender que os fuzis que o presidente ajudou a colocar nas mãos do PCC serão usados contra eles mesmos. É isso que eu chamo de compreensão limitada da realidade.

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