A silenciosa maldição do Índio

Como se diz no jargão político, Wellington Dias, o "Índio" é bom de voto e sabe o que faz

                 

Foto: ReproduçãoWellington Dias
Wellington Dias

                                                                                                                                 
Por Luiz Brandão, jornalista, no Piauí Hoje                                                                                                                                           

O ministro da Casa Civil de Bolsonaro, Ciro Nogueira virou piada nacional nas redes sociais depois da derrota acachapante que ele e seus candidatos sofreram no Piauí. Ele precisa se cuidar pra não sofrer a "Maldição do Índio" em 2026.

Mais ou menos na metade do mês de setembro, num áudio de uma conversa com um interlocutor identificado como Júlio, Ciro disse que queria ver a cara de desespero e de derrota de três pessoas depois da eleição: do professor Batista Teles, dono do instituto Amostragem, do senador Marcelo Castro e do ex-governador Wellington Dias.

Com ar de vitorioso antes da partida terminar, Ciro dizia que Batista e seu instituto seriam desmoralizados pelo resultado das urnas. Não foi o que ocorreu. O Amostragem praticamente cravou o resultado confirmados nas urnas com a vitória de Rafael Fonteles, Wellington Dias e a esmagadora maioria de votos dados a Lula.

Com o senador Marcelo Castro não foi diferente. Elegeu o filho Castro Neto deputado federal com uma votação expressiva. Com o Índio ocorreu o mesmo. Além de se eleger, liderou um time que conseguiu oito das 10 vagas na Câmara Federal e 24 das 30 cadeiras na Assembleia Legislativa.

Com Ciro Nogueira ocorreu o contrário. Perdeu para o governo com Sílvio Mendes e para o Senado, com Joel Rodrigues, e seu candidato a presidente, Jair Bolsonaro, foi humilhado nas urnas. E, de quebra, Ciro deixou sem mandato a ex-esposa, Iracema Portella, e a aliada Margarete Coelho. 

A surra foi grande. Esse Índio é mesmo malvado com os adversários. Deu o troco e desmoralizou Ciro nas urnas. Ele mostrou quem é líder e quem realmente tem força política e prestígio popular no Piauí. Talvez por isso Ciro ainda não tenha se pronunciado sobre a derrota que sofreu.

Como se diz no jargão político, Wellington Dias, o "Índio" é bom de voto e sabe o que faz. Desde que entrou na política já se elegeu vereador de Teresina, deputado estadual e deputado federal. Também foi eleito quatro vezes governador do estado, no primeiro turno.

Agora, em 2022, mesmo com todo dinheiro bolsonarista do orçamento secreto derramado no Piauí nas véspera da eleição, Wellington liderou o time que elegeu no primeiro turno Rafael Fonteles, o candidato que ele indicou para o governo. De quebra, se elegeu senador pela segunda vez.

Com seu jeito conciliador e cortez, Dias também elegeu seu sucessor Wilson Martins, liderou todas as campanhas de 2002 até agora e foi responsável direto pelas eleições dos candidatos a senador que fizeram aliança com o grupo dele: João Vicente Claudino, Elmano Ferrer, Marcelo Castro e o próprio Ciro Nogueira.

Detalhe: todos os que foram eleitos com a ajuda de Wellington Dias e que o traíram receberam a "Maldição do Índio" - foram derrotados em eleições seguintes. Ciro poderá ser o próximo a experimentar esse castigo, porque 2026 está logo ai.

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