Sociólogo, Professor aposentado da UFPI

Antonio José Medeiros

Sociólogo, Professor aposentado da UFPI

Vamos juntos pelo Brasil

Foto: ArquivoAntonio José Medeiros
Antonio José Medeiros

​“Cada eleição é uma eleição”; “toda eleição é diferente”. É verdade. O desafio é perceber a diferença, ou melhor, as diferenças.

As eleições de 2022, sobretudo para presidente, são diferentíssimas!

Para depurado estadual e deputado federal... tudo indica que teremos mais do mesmo, com as honrosas exceções. Para senador, num ou noutro estado, sempre há espaço para alguma novidade. E para governador será a mistura do tradicional e do moderno, do progressista e do conservador, até porque é o resultado da mistura do local, estadual e nacional.

Mesmo em nível nacional, para Presidente, contam,como sempre, a penetração de massa dos candidatos, sua imagem, seu discurso, os apoios partidários, a mídia, asredes sociais e a chamada estrutura de campanha.

O importante é perceber que as eleições de 2022 vão além dessa “múltipla determinação”. É preciso construir ereforçar uma “sobredeterminação”, que englobe e dê sentido a todas as demais. Assim entendida, a disputa vai além dos candidatos e dos partidos. É uma disputa genuinamente política que precisa sobredeterminar a disputa eleitoral. É uma eleição instituinte, no sentido de reafirmar o pacto constitucional.

Não se trata de teoricismo, idealismo ou utopismo. É uma questão concreta colocada pela conjuntura crucial que estamos vivendo de séria ameaça autoritária com as tinturas de um fascismo tupiniquim.

Confirmado nas urnas (de que tanto desdenha), o bolsonarismo, que vem ganhando forma desde as eleições de 2018, vai querer se aprofundar, vai ser mais ousado. Terá dificuldade de se institucionalizar, pois tem um viés tradicionalista de governo do chefe (mito, com minúscula mesmo), dos filhos, dos amigos do momento, dos servidores subservientes em cargos de confiança, sem partido orgânico, mas sempre apelando para a anti-verdade (e não pós) nas redes sociais e para manifestações de massas, para o espetáculo.

Essa dificuldade de institucionalização cria uma barreira para a intervenção estratégica das Forças Armadas, sem as quais não há golpe antes ou depois das eleições, sob a chefia da figura do Bolsonaro. Embora o bolsonarismo por si possa criar muita confusão, apelando inclusive para a violência.

Para as forças democráticas e de esquerda é sensato reconhecer e alimentar essa dissonância entre bolsonarismo e Forças Armadas enquanto instituição de Estado.

Mas o fundamental é a construção de uma ampla Frente de forças políticas e sociais capazes de ação organizada e atuando para ampliar a participação da população.

Os níveis de articulação, pela amplitude necessária, são diversos: os partidos, as federações, as coligações, as candidaturas democráticas em disputa. Isso mesmo, até as candidaturas em disputa. Pois se trata de volta à vigência cada vez maior do pacto constitucional em torno de um Estado Democrático de Direito, onde os adversários não são inimigos que precisam ser excluídos ou mesmo aniquilados.

Embora a Democracia seja um valor autônomo na vida política, é o clima democrático que permite a disputa de propostas econômicas, sociais, culturais e nacionais. O compromisso comum de enfrentar uma situação crítica exige bom senso para administrar os conflitos sem romper o compromisso.

Democracia e conquistas sociais e culturais não são fases distintas de um processo, mesmo eleitoral; vão sempre juntas. A esquerda vai continuar mostrando sua diferença. Mesmo que não se chegue a um programa comum, algumas bandeiras devem ser levantadas na campanha.

Daí também a importância, em momentos como o atual, da mobilização de instituições e movimentos não partidários ou especificamente políticos, que expressam interesses e causas que têm sua própria lógica.

No “Vamos Juntos pelo Brasil”, é preciso respeitar asvárias maneiras de se juntar.

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.

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