Economista, Auditor Fiscal da Paraíba e Poeta

Acilino Madeira

Economista, Auditor Fiscal da Paraíba e Poeta

Um recado para Aroazes, para o Piauí e o Brasil

Foto: 180grausAroazes
Aroazes

Para se entender as raízes do atraso da civilização brasileira nada melhor que se ter um olhar direcionado para a realidade dos municípios, principalmente os mais pequenos, em âmbito alargado e dimensões diversas: política, economia, saúde, segurança, educação, cultura etc.

Particularmente, passei toda a minha infância numa pequena cidade do interior piauiense chamada Aroazes (PI), na região Centro-Sul do Estado, microrregião de Valença (PI), distante 230 km aproximados da capital Teresina (PI). Mesmo minha família tendo deixado a velha Missão (como antigamente era chamada), nunca deixei de acompanhar as suas mazelas políticas, muito embora a distância.

Vez por outra ligo para alguns parentes próximos que ainda por lá estão e procuro saber das novidades. Não há novidade, nunca houve novidade alguma. De quatro em quatro anos, as elites, muito mais políticas que econômicas, se revezam na briga pelo poder – briga sim pelo poder, haja vista que não existe entre os candidatos nenhuma preocupação com o desenvolvimento econômico sustentável do município.

Nestas eleições, a família Portela tenta emplacar o terceiro mandato seguido para a condução dos destinos da cidade à frente do Executivo municipal. Além de produzir todas as atitudes de nepotismo, privatização das estruturas públicas, o prefeito atual não mora na cidade. Do outro lado, a família Vale se coloca como uma opção humilde de alternância de poder. É o Bloco do Cordão Azul competindo politicamente com o Bloco do Cordão Encarnado, independente de quem ganhar as eleições, o certo é que a cidade continuará no atraso. Pouco importa os partidos de cada bloco... continuando os Portelas, tudo será muito pessoal, tudo muito patriarcal e haja pilhagem e roubalheira.

Em Aroazes, em matéria de finanças públicas não existe receitas próprias, o município vive de transferências constitucionais. A despesa pública é consumida pelo correntismo dos gastos administrativos. A manutenção da máquina pública esconde toda a sorte de apropriações escusas do erário público pelas elites dominantes. Nada de investimentos estruturais, a cidade é uma ilha de pobreza e cercada de miséria por todos os lados. E assim a população aroazense, incluindo meus parentes continuam sempre sendo enganados com falsas promessas em desenganos vindouros.

Nas eleições de 2020, a família Portela colocou um jovem de 22 anos, Manoel Portela Neto ou Dom Manoel Portela III para disputar as eleições com a jovem senhora Talita Vale, com um pouco mais de idade e mais maturidade.

Torço para que Talita Vale vença, em nome dos mais carentes da cidade e pelo fato da candidata apresentar um programa de governo mais inteligente e menos arrogante. Torço também pela Talita Vale, e se lá votasse cravava meu voto na esperança de eleger a primeira mulher a conduzir os destinos da Missão dos Aroazes.

Contudo, puxei do baú de minhas lembranças eruditas, as obras de Joseph Schumpeter e Raymundo Faoro, respectivamente Capitalismo, Socialismo e Democracia (1942) e Os Donos do Poder (1958). São duas obras importante para entender bem as categorias políticas e as categorias econômicas das elites nacionais, principalmente interioranas.

Para Schumpeter, economista tcheco, como no mercado econômico as elites políticas competem pelo poder e fazem da democracia procedimentalista uma máquina de fazer governos dissociados da realidade vivida pela sociedade civil. Em complemento luxuoso, Raymundo Faoro, jurista brasileiro, aponta que a formação de um corpo administrativo, pelas elites políticas vencedoras, possibilita a condução do Executivo Municipal como órgão de domínio e toma para si as prerrogativas econômicas e de mando, gerindo-as como se fora um negócio privado.

Há duas gestões (2012-2020) que a família Portela com os seus pupilos privilegiados assim se comportam, transformado a Prefeitura Municipal de Aroazes (PI) numa fazenda particular, como se o Erário Público Municipal lhe fosse uma dádiva divina.

Até quando Aroazes continuará tendo um avanço no atraso?

Foto: TwitterVaqueiro
Vaqueiro

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.

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