Doutor em Antropologia

Arnaldo Eugênio

Doutor em Antropologia

Três mentiras por minuto

Foto: ReproduçãoDebate JN
Debate JN

 

Em recente entrevista ao Jornal Nacional/Tv Rede Globo, em 22/08, o candidato à reeleição da presidência Jair Bolsonaro perdeu a oportunidade para se libertar da mesmice política, da falta de empatia na pandemia e se redimir do hecatombe administrativo, preferindo desfiar três mentiras por minuto, para enganar o eleitor abaixo da média.

Durante a entrevista o candidato à reeleição da presidência do Brasil se mostrou o mesmo em várias versões de uma mesma mentira. Mentiu que “estamos num governo sem corrupção”, negando os casos das“rachadinhas”, do “laranjal do PSL”, do escândalo do uso de recursos do FNDE pelo “ministro da educação Milton Ribeiro e os pastores”, do esquema de tráfico internacional de madeira ilegal do ministro Ricardo Sales e o pedido do diretor do Ministério da Saúde de 1 dólar por vacina,durante a pandemia.

Mentiu ao dizer que “jamais se misturaria com corruptos e condenados” – do “centrão” (eleições de 2018)–, mas, em 2022, “casou-se” de papel passado com Valdemar Costa Neto (PL), preso e condenado por formação de quadrilha no “escândalo do mensalão” e com Ciro Nogueira (hoje ministro da Casa Civil), que chamava Bolsonaro de fascista e defendia que lula era o melhor para o Brasil. Além de apoiar o uso da CODEVASP para desviar recursos pelo “centrão” – um bloco informal de partidos e parlamentares no Congresso brasileiro, que trocam apoios por barganhas e espúrios.

Para não desagradar a bolha dos seus eleitores e a claque golpista, Bolsonaro se manteve na defensiva e na esquiva sobre as omissões e equívocos de gestão. Em quarenta minutos de perguntas objetivas preferiu dá respostas vazias, além de atacar as ações institucionais do IBAMA e de desqualificar a insatisfação salarial dos servidores públicos da Polícia Federal.

Sem qualquer elemento de prova, insistiu na mentira de que as urnas eletrônicas não são auditáveis e seguras. O candidato da mentira usou de falácias para engar o eleitor, sugerindo que na posse de Alexandre de Moraes na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fez a “pacificação” e o destensionamento institucional, quanto a tentativa de sabotagem das instituições brasileiras.

Durante toda a entrevista, sobre a pandemia de COVID-19, o candidato golpista à reeleição mentiu, tantopor desinformação quanto por má-fé, quando afirmou que “o lockdown durou mais de um ano” e que “até hoje é desconhecida ainda os efeitos possíveis, efeitos colaterais da vacina”. Primeiro, os efeitos colaterais das vacinas contra COVID-19 estão na série Vacinas Explicadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). E, segundo, no Brasil, não existiu lockdown total.

Além disso, negou que não imitou um paciente com falta de ar, que não falou que era coveiro e que quem se vacinasse viraria jacaré em plena pandemia. Mentiu ao dizer que o socorro ao caos pela falta de oxigênio foi feito em 48 horas, quando, na verdade, chegou nove dias depois. E mentiu que sabotou o uso de máscaras e que embarreirou a vacina durante o pico de contaminações e de mortes no país.

Por fim, o “candidato da mentira” negou xingar de “canalha” os ministros Alexandre de Moraes e Luis Roberto Barroso, insultando a sua claque a uma sanha golpista e ataque às instituições. Como resposta às três mentiras por minuto, a maioria da população expectadora respondeu protestando com “panelaços” em todo o Brasil. Assim, a entrevista foi um momento de balanço da gestãoe de despedida de um governo do improviso e corrupto,sem compromisso com a democracia brasileira.

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.

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