Doutor em Antropologia

Arnaldo Eugênio

Doutor em Antropologia

Sobre pesquisas eleitorais

Foto: O EstadoPesquisa eleitoral

Toda pesquisa eleitoral deixa um “rastro” a seguir, para que se possa atestar ou não a veracidade dos dados coletados, os resultados obtidos pela análise e a intenção da pesquisa. Isto é, se a pesquisa faz uma leitura da realidade política do momento ou se se trata de uma pesquisa manipulada para cooptar a consciência do eleitor indeciso. Por exemplo, ainda é muito comum no Brasil apresentar no início do período eleitoral até duas “pesquisas fraudulentas”, onde um “candidato A” tem mais de 50% de rejeição e está em último lugar com 10% das intenções de votos. E, na 3ª e 4ª pesquisas, divulgadas sempre às vésperas da eleição, surpreendentemente, o mesmo “candidato A” sai do último lugar nas intenções de votos e aparece em primeiro lugar, com 10 até 25% à frente dos adversários, sem apresentar a rejeição ou qualquer fator político relevante que justifique.

Assim, em 2020, diante de qualquer pesquisa eleitoral, o eleitor precisa ficar atento a seis aspectos fundamentais, dentre outros: 1) quem contratou (ou encomendou); 2) qual o instituto contratado (ou encomendado); 3) quem são os entrevistados; 4) a checagem; 5) os resultados; e 6) o registro da pesquisa. 

Uma pesquisa pode ser contratada ou encomendada. A pesquisa contratada mostrará a realidade política no momento em que a pesquisa foi feita. A pesquisa encomendada, apresentará uma realidade política conforme o interesse de quem a pagou para ser feita. Nesse aspecto, a relação entre o valor de mercado cobrado e o valor pago por uma pesquisa é revelador quanto a lisura e a veracidade dos resultados. Isto é, se o valor cobrado por uma pesquisa eleitoral estiver muito abaixo do preço de mercado, principalmente às vésperas da eleição, pode-se afirmar que se trata de uma pesquisa encomendada para enganar a opinião pública.

A credibilidade do instituto de pesquisa é outro sinal evidente para saber se a pesquisa é contratada ou encomendada. Ou seja, quanto maior a credibilidade do instituto, menor é a tendência de a pesquisa manipular a realidade política; e quanto menor a credibilidade do instituto, maior é a tendência de a pesquisa ser um produto de manipulações intencionais.

A escolha dos entrevistados deve enquadrar aquelas pessoas com características definidas na amostragem. Logo, se uma pesquisa for contratada, a escolha será, criteriosa. Mas, se a pesquisa for encomendada, a escolha dos entrevistados é viciada, justamente para atender ao interesse do cliente.

A checagem é feita pelo instituto responsável pela pesquisa com ao menos 20% dos entrevistados, para garantir que os dados coletados estão corretos. Assim, se a pesquisa é contratada, a checagem ocorre, mas se a pesquisa é encomendada, a checagem é dispensada, pois o resultado já foi previamente manipulado para o cliente.

Numa pesquisa contratada, a partir das entrevistas, com a supervisão de um estatístico, os dados são analisados através de vários métodos científicos, até se chegar ao resultado da pesquisa. Porém, se a pesquisa é encomendada, o resultado da pesquisa já está definido desde a origem, bastando apenas o pagamento combinado.

O registro da pesquisa eleitoral, seja contratada ou encomendada, é uma exigência legal, que responsabiliza o contratante a responder judicialmente pelos danos que vier a causar a terceiros e ao pleito eleitoral. No caso de pesquisa encomendada, pode se caracterizar como um crime eleitoral.

Portanto, não se deixe enganar, os números não falam por si, mas revela se a pesquisa é verdadeira ou falsa.

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.

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