Jornalista

Sérgio Fontenele

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O repúdio do Nordeste ao mau exemplo

Foto: Google ImagensPreconceituoso para com o Nordeste
Preconceituoso 

A mais nova carta de repúdio ao presidente Jair Bolsonaro, assinada por oito governadores do Nordeste (Bolsonaro ataca governador de Pernambuco, nordestinos defendem e Wellington Dias prega união), inclusive o governador Wellington Dias, é, evidentemente, mais uma reação política à postura hostil do atual inquilino do Palácio do Planalto em relação à região nordestina. Mais uma. O problema extrapolou a esfera da tola rivalidade ideológico-partidária alimentada por Bolsonaro, que diz odiar as esquerdas, os comunas, socialistas, lulo-petistas, petralhas, etc. Afinal, a maioria desses governadores são de partidos de esquerda.

As declarações de Bolsonaro, chamando de “espertalhão” o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, além de reforçar o preconceito contra os nordestinos, algo que já configura crime de responsabilidade, em se tratando do presidente da República, desnudam o caráter incompetente do atual governo. É algo mais grave do que disse Jair Bolsonaro, em Washington (DC), capital dos EUA, a respeito da característica destrutiva, de “desconstruir”, e não construtiva, de sua gestão à frente do poder central.

É demonstrar não ser capaz de governar, com a seriedade, competência, o equilíbrio e compromisso total, inequívoco, com princípios nacionais essenciais, como soberania, integração nacional, desenvolvimento, democracia e combate à desigualdade ou inclusão social. Em plena crise ambiental de grandes proporções – a segunda em menos de dois meses –, causada desta vez pelo despejo de toneladas de petróleo na costa nordestina, Bolsonaro, ao invés de buscar unir esforços com os governos da região, faz algo incompreensível.

Exercício de grosserias

Realmente, é inaceitável tal postura, como frisaram os governadores nordestinos na carta, e torna-se ainda mais grave por ter sido assinada, a mensagem, pela mais alta autoridade do Executivo. Mesmo que a postagem, na conta pessoal do presidente no Twitter, tenha sido escrita pelo vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), seu filho, ou por algum dos obscuros assessores do Planalto. A responsabilidade por tal declaração recai única e exclusivamente sobre o presidente.

Como disseram os governadores, na carta, “é profundamente lamentável que a missão confiada ao atual presidente seja transformada em um vergonhoso exercício de grosserias e, neste caso, também na propagação de falsidades”. Isso é próprio de um governo controlado por determinado grupo ideológico, de extrema direita, que adota, como estratégia governamental, a criação de tumultos políticos incessantes, para desviar a atenção da sociedade quanto ao atual quadro de estagnação econômica e deterioração social.

A orientação é manter o País polarizado, em conflito, contaminado pelo ódio, e, dessa forma, os inimigos sob pressão, em dificuldade para fazer uma oposição que explore as contradições, os desmandos administrativos, as manobras nos bastidores e as tentativas de solapar o estado democrático de direito. A forma com que o governo tem atuado no caso desse desastre ambiental, causado pelo derramamento de petróleo e derivados no mar, é só um exemplo. Mau exemplo.

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.

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