Jornalista

Sérgio Fontenele

Jornalista

Bolsonaro seria o primeiro pecador ambiental?

Foto: Google ImagensPecados ambientais
Pecados ambientais

A participação do governador do Piauí, Wellington Dias, na 1° Cúpula dos Governadores dos Estados da Pan Amazônia, realizada nesta segunda-feira (28-11), no Vaticano, demarca sua posição importante na grande frente que cresce como antítese do bolsonarismo. Essa arrumação política, que extrapola inclusive os limites da esquerda no Brasil, cresce, ganha volume, para se contrapor ao obscurantismo, que é o emblema do governo Bolsonaro. Em todos os setores e áreas da sociedade e vida. No caso, em relação ao meio ambiente.

Não há uma postura panfletária, que terminaria alimentando a necessidade dos bolsonaristas no sentido de manter aguda a polarização que corrói este País. Mas fica cada vez mais nítida a atitude de se contrapor, com equilíbrio e racionalidade, às orientações ideológicas, de extrema-direita, do atual regime Bolsonaro. A contraposição em questão expõe a postura isolacionista e irresponsável do governo federal no aspecto ecológico. É o que se vê na atuação ambiental oficial, por exemplo, na crise que devasta parte da região amazônica.

É o que se observa quanto à tragédia do derramamento, por enquanto, de mais de mil toneladas de óleo nas praias do Nordeste. A cúpula dos governadores participantes de evento associado ao Sínodo da Amazônia, realizado em Roma, na Itália, é mais um fato relacionado à resistência democrática contra a impressionante série de desmandos do poder central. E corrobora os fundamentos desse grande encontro da alta hierarquia da Igreja Católica Apostólica Romana, condenando o modelo predatório de desenvolvimento amazônico.

A liderança de Francisco

Sob a liderança do Papa Francisco, esse processo pressiona ainda mais o presidente Jair Bolsonaro e seus grupos de apoio, que se recusam a reconhecer as ameaças contra a Amazônia. Por isso, são interessantes propostas como a taxação dos países ricos, em compensação por danos causados ao meio ambiente, através do pagamento de créditos de carbono. Wellington Dias lamentou a ausência de discussão em torno da criação de um fundo financeiro internacional para preservar a grande floresta tropical.

Mas ficou selado o compromisso, por parte desses governadores, de atuar de modo a garantir a aplicação das resoluções do Sínodo da Amazônia. E isso implica não apenas no que se refere à preservação do ecossistema. A proposta da instituição do "pecado ambiental" no sínodo, pode se tornar um símbolo expressivo de condenação dos que praticam ou incentivam crimes ambientais ou permitam, prevaricam, no que se refere a esses atos criminosos. Seria mais um pecado a pairar sobre Bolsonaro e seus seguidores?

Outro aspecto de destaque diz respeito a tomar medidas concretas para o desenvolvimento sustentável da região, o que implica não desmatar, não contaminar e respeitar a natureza e os povos indígenas. Tendo o apoio dos governadores pan amazônicos, a posição de Francisco talvez seja interpretada, pelos bolsonaristas, como um obstáculo consistente a pretensos objetivos exploratórios, especulativos, direcionados a devastar, se lucrativo for, a qualquer preço, o meio ambiente.

OBS: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do pensarpiaui.

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