Vorcaro bancava viagens e hotéis de luxo de Ciro Nogueira
As apurações fazem parte da quinta fase da Operação Compliance Zero
A Polícia Federal investiga suspeitas de que o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, tenha custeado viagens, hospedagens de luxo e despesas pessoais do senador Ciro Nogueira (PP-PI). As apurações fazem parte da quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
O que aconteceu
A quinta fase da Operação Compliance Zero colocou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) entre os alvos da Polícia Federal por suspeitas envolvendo benefícios pagos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo a investigação, o empresário teria arcado com viagens, hospedagens de luxo e despesas do parlamentar enquanto mantinha interesses ligados ao sistema financeiro e a propostas legislativas favoráveis a bancos médios.
Entre os registros analisados pela PF está a hospedagem de Ciro no hotel cinco estrelas Park Hyatt New York, em Manhattan, nos Estados Unidos. De acordo com a investigação, os custos foram pagos por Vorcaro.
Mensagens encontradas no celular do banqueiro também apontam para o pagamento de despesas do senador e da esposa, Flávia. Em uma conversa, Léo Serrano, apontado como operador de Vorcaro, perguntou se os responsáveis deveriam continuar pagando contas de restaurantes do casal até determinado dia. O banqueiro respondeu positivamente e ainda mencionou o envio de cartão para St. Barths.
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A Polícia Federal também cita diálogos entre Vorcaro e o primo Felipe Vorcaro, identificado como operador financeiro do grupo. Nas mensagens, aparecem referências a pagamentos de R$ 300 mil e R$ 500 mil relacionados a Ciro. Em um dos trechos, Daniel reclama de atraso de dois meses envolvendo o senador. Felipe responde perguntando se os valores permaneceriam em R$ 500 mil ou poderiam cair para R$ 300 mil.
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Além das despesas pessoais, os investigadores apontam indícios de proximidade entre o banqueiro e o parlamentar. Em mensagens trocadas com a então noiva, Martha Graeff, Vorcaro descreveu Ciro como “muito amigo” e “um dos meus grandes amigos de vida”.
A investigação também analisa a atuação legislativa do senador em propostas que poderiam beneficiar bancos médios, como o Banco Master. Um dos episódios envolve uma emenda relacionada ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), apresentada por Ciro em 2024. A proposta previa elevar a cobertura do fundo de R$ 250 mil para até R$ 1 milhão por depositante.
Em mensagens, Vorcaro comemorou a iniciativa e afirmou que a medida ajudaria bancos médios e reduziria o poder das grandes instituições financeiras. Segundo a PF, o Banco Master poderia ser beneficiado diretamente, já que utilizava a proteção do FGC para atrair investidores para seus CDBs. O trecho, no entanto, acabou retirado da redação final aprovada pelo Congresso.
Outro ponto citado na decisão judicial envolve a retirada de envelopes na residência de Ciro contendo minutas de projetos de lei de interesse do Banco Master. Segundo a investigação, houve cuidado para evitar qualquer vínculo direto entre os documentos, o senador e o banco.
A defesa de Ciro Nogueira nega irregularidades. Em nota, o senador afirmou que trocar mensagens com diferentes pessoas não significa proximidade pessoal. Sobre os registros de voos mencionados pela investigação, declarou que participou de um evento esportivo em São Paulo, mas utilizou transporte terrestre.
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