Política

Mulher que levou 61 socos em elevador será candidata a deputada pelo PT

Sobrevivente de tentativa de feminicídio afirma que decisão foi motivada por pedidos de mulheres para transformar sua experiência em propostas de proteção e mudanças na legislação


Reprodução redes sociais Mulher que levou 61 socos em elevador será candidata a deputada pelo PT
Juliana Soares, Janja e Fatima Bezerra

Juliana Soares, que sobreviveu a uma tentativa de feminicídio após ser agredida com 61 socos pelo então namorado em um elevador, em Natal, anunciou sua pré-candidatura a deputada estadual pelo PT nas eleições de outubro. Segundo ela, a decisão surgiu após receber apelos de mulheres que pediram sua atuação na criação de leis de proteção às vítimas.

O que aconteceu

Juliana Soares oficializou sua pré-candidatura a deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT). O caso ganhou repercussão nacional depois que ela foi vítima de uma violenta agressão dentro de um elevador, em Natal, em julho do ano passado. As agressões provocaram fraturas no nariz, maxilar, mandíbula, ossos da face e órbita ocular, exigindo cirurgias de reconstrução facial e um longo processo de reabilitação.

O agressor, Igor Eduardo Cabral, ex-atleta e então namorado de Juliana, permanece preso, tornou-se réu e responderá ao caso em júri popular.

Após sobreviver à tentativa de feminicídio, Juliana passou a atuar no combate à violência contra as mulheres, realizando palestras e participando de ações de conscientização. Ela afirmou que a candidatura foi motivada pelos inúmeros relatos e pedidos de ajuda recebidos de mulheres vítimas de violência, que a incentivaram a buscar mudanças por meio da atividade parlamentar.

Segundo Juliana, sua escolha pelo PT reflete uma identificação antiga com a esquerda e a defesa de políticas públicas, citando o Sistema Único de Saúde (SUS), onde recebeu atendimento durante sua recuperação.

Desde que assumiu publicamente seu posicionamento político, Juliana relata ter sido alvo de ataques nas redes sociais, situação que se intensificou após o anúncio da pré-candidatura. Ela defendeu o respeito às diferenças de opinião e reforçou a importância do debate democrático. Em casos de violência contra a mulher, a orientação é denunciar pelos canais oficiais, como os telefones 190, 180 e Disque 100.

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