Política

Veja detalhes da entrevista de Lula ao UOL

Ele falou sobre CPI do INSS, caso Master, Donald Trump e muito mais


Reprodução Veja detalhes da entrevista de Lula ao UOL
Lula e Daniela Lima

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (5), em entrevista ao UOL, que garantiu ao empresário Daniel Vorcaro, durante reunião no Palácio do Planalto em 2024, que as investigações sobre o Banco Master seriam conduzidas de forma estritamente técnica, sem interferência política.

Segundo Lula, o empresário relatou estar sofrendo perseguição, mas ouviu do presidente que o governo não tomaria posição a favor ou contra a instituição. “O que haverá será uma investigação técnica”, afirmou. O presidente reforçou que eventuais responsáveis por irregularidades serão punidos e que o caso representa uma oportunidade para avançar no combate à corrupção e à lavagem de dinheiro.

Na entrevista, Lula disse que mobilizou integrantes do núcleo econômico e buscou o acompanhamento da Procuradoria-Geral da República para garantir rigor nas apurações. Ele afirmou ainda que não pretende restringir o alcance das investigações, mesmo que envolvam políticos, partidos ou grandes grupos financeiros.

Ao comentar acusações envolvendo o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, Lula saiu em defesa do auxiliar, destacando que a prestação de serviços jurídicos a empresas é prática comum e que não houve irregularidade.

O presidente também defendeu o aprofundamento das investigações sobre aplicações de recursos públicos em instituições financeiras e questionou eventuais relações entre o Banco Master e o BRB. Sobre a possibilidade de uma CPI, afirmou respeitar os limites institucionais e negou interferência.

Relação com os Estados Unidos e América Latina

Lula afirmou que pretende intensificar o diálogo político e econômico com os Estados Unidos e anunciou a possibilidade de uma viagem a Washington, em março, para se encontrar com o presidente Donald Trump. Segundo ele, a relação bilateral deve ser baseada em conversas diretas e parcerias estratégicas.

O presidente defendeu que não há temas vetados no diálogo, desde que seja respeitada a soberania nacional, incluindo cooperação industrial, investimentos e exploração de terras raras.

Ao abordar a situação da Venezuela, Lula disse que a principal preocupação é o fortalecimento da democracia e a melhoria das condições de vida da população, relativizando o papel do presidente Nicolás Maduro. Para ele, a solução da crise deve partir dos próprios venezuelanos.

Lula também reiterou ao governo norte-americano que a América do Sul deve ser tratada como uma região de paz e defendeu maior integração latino-americana como forma de superar o subdesenvolvimento.

Gaza e política internacional

O presidente comentou a proposta de criação de um “Conselho de Paz” para tratar da situação em Gaza e disse que o Brasil só participará se houver representação palestina. Segundo ele, a reconstrução deve priorizar moradias, hospitais e infraestrutura básica.

Eleições de 2026 e cenário político

Lula afirmou acreditar em nova vitória eleitoral em 2026 e avaliou que a polarização política tornou o cenário mais rígido. Segundo ele, as disputas seguem a lógica de torcidas rivais, com poucos eleitores dispostos a mudar de posição.

O presidente mencionou os ministros Fernando Haddad e Geraldo Alckmin, além de Simone Tebet, como nomes estratégicos para a disputa em São Paulo. Em Minas Gerais, demonstrou otimismo e citou o senador Rodrigo Pacheco como possível candidato ao governo estadual.

Lula atribuiu a intensificação da radicalização política ao processo eleitoral de 2014 e disse que pretende basear a campanha na defesa da democracia e no histórico de políticas sociais.

Caso INSS e menções ao filho

O presidente também comentou as investigações da CPMI do INSS, que apura um rombo bilionário no instituto, e afirmou ter orientado o filho, Fábio Luís Lula da Silva, a se defender nos marcos legais ou assumir responsabilidades, caso haja irregularidades.

Lula disse que foi o próprio governo que incentivou a criação da CPI e que não haverá proteção a eventuais envolvidos.

Mandato para ministros do STF

Na entrevista, Lula defendeu a discussão sobre mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal, ressaltando que a decisão cabe ao Congresso. Segundo ele, não é justo que magistrados permaneçam no cargo por quatro décadas.

O presidente elogiou a atuação da Corte no julgamento dos atos de 8 de janeiro e destacou o papel do presidente do STF, Edson Fachin, na defesa da integridade institucional. Citou ainda a iniciativa da ministra Cármen Lúcia na elaboração de um Código de Ética.

Lula confirmou que indicou o advogado-geral da União, Jorge Messias, para vaga aberta na Corte, e que aguarda a tramitação da indicação no Senado.

Ao final, o presidente reiterou que o governo atuará para garantir investigações rigorosas, fortalecimento institucional e estabilidade democrática.

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