Valdemar admite tentativa de golpe, sinaliza afastamento de Bolsonaro e culpa petistas
“Se você planejar um assassinato, mas não fizer nada, não tentar, não é crime”, disse o dirigente
Durante participação no Rocas Festival, evento de hipismo realizado neste sábado (13) em Itu (SP), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, admitiu publicamente que houve um planejamento para um golpe de Estado no Brasil. A declaração ocorreu poucos dias após o Supremo Tribunal Federal (STF) condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe e outros crimes.
Valdemar, que já havia se posicionado a favor do respeito à decisão da Corte, afirmou: “Houve um planejamento de golpe, mas nunca teve o golpe efetivamente”. Para justificar sua tese, recorreu a uma comparação controversa: “Se você planejar um assassinato, mas não fizer nada, não tentar, não é crime”. O dirigente ainda voltou a falar em “petistas infiltrados”, tese nunca comprovada e que tem sido usada para relativizar as responsabilidades de aliados de Bolsonaro.
A fala, no entanto, contraria especialistas em direito constitucional. Segundo o professor Pedro Serrano, da PUC-SP, o crime de tentativa de golpe já se caracteriza pelo planejamento, considerado o ato inicial de execução. “Foi além do planejamento: houve mobilização para sequestrar o ministro Alexandre de Moraes”, destacou o jurista.
Apesar de críticas a supostos “exageros” do STF, Valdemar reconheceu a legitimidade do julgamento e sinalizou distanciamento do ex-presidente. “O Supremo decidiu, nós temos que respeitar”, declarou, em tom de resignação. No mesmo evento estavam figuras de peso do cenário político, como o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e governadores cotados para a corrida presidencial de 2026 — Ronaldo Caiado (Goiás), Romeu Zema (Minas Gerais), Ratinho Jr. (Paraná) e Tarcísio de Freitas (São Paulo).
Valdemar também projetou as eleições de 2026 e disse acreditar na união da direita, com foco em garantir maioria no Congresso. “Temos que ter um governo de direita com o Congresso na palma da mão. O Bolsonaro não tinha o Congresso do lado dele”, afirmou.
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