Uma revolução na educação pública do Piauí, por José Salan Barbosa
O governador Rafael Fonteles ganhou a eleição e disse que a Educação seria sua principal prioridade
Chega a ser um clichê afirmar que a educação é o principal instrumento político e social para a solução das mais importantes mazelas sociais e para a transformação e o desenvolvimento de uma nação.
Todo mundo sabe e repete esse mantra com muita frequência, principalmente em campanhas eleitorais; sejam elas municipais, estaduais ou nacional. Para os candidatos, é simpático e dá voto, principalmente quando o discurso vem carregado com alguma teoria sobre educação e uma peroração demagógica.
Isso acontece historicamente em todo país, só que depois das eleições quase nada muda. Os mesmos problemas se repetem e a educação continua sendo relegada a um segundo ou terceiro plano. Toda vez que são divulgados indicadores da educação em que o Brasil aparece mal colocado, a mídia nacional faz uma série de reportagens com os exemplos mais gritantes em vários estados e municípios. São escolas com falta de professores, com problemas de infraestrutura, goteiras nas salas, falta de material escolar, de papel higiênico nos banheiros sujos, falta de climatização nas salas, greves de três a quatro meses onde parece que alguns governantes acham até bom, porque nesse período diminuem as despesas.
Na hora que a educação é colocada na pauta de discussão, surgem logo dezenas de barreiras quase intransponíveis, que impedem os governos de darem os passos seguintes. Nos tempos atuais, para complicar um pouco mais esta discussão, temos que falar de educação em tempo integral. Aí aparecem problemas adicionais: tem que ter reformas estruturais nos prédios escolares para possibilitar condições dignas de estudo e trabalho aos alunos e servidores. Se é integral, tem que aumentar a quantidade de salas e os espaços para manter os alunos o dia inteiro na escola; tem que aumentar a quantidade de professores e servidores para garantir aulas em todos os horários previstos no calendário escolar. Tem que ter formações específicas, pois muda toda a abordagem pedagógica. Tem que ter refeições e lanches adequados para manter os alunos em dois turnos.
Lembramos que só há educação de qualidade com professores e alunos em sala de aula, sem faltas de lado a lado. Se o professor falta, tem que ter substituto. Este é o fundamento número um para uma boa educação.
Aliado a todos esses problemas, os alunos, que em grande parte são de famílias socialmente vulneráveis, trazem consigo, como não poderia deixar de ser, seus problemas de casa. Falta de trabalho na família, falta de segurança, convivência com o tráfico de drogas e o maior problema dos dias de hoje, o assédio das facções criminosas e mais, moradia precária, dificuldades com alimentação, com saúde, falta de espaços e de tranquilidade para estudar, etc.
Daí surge a pergunta crucial: por que todos candidatos prometem priorizar a educação e os problemas mais elementares permanecem?
A resposta: porque é muito difícil, custa caro e melhorias na educação pública vão atender principalmente às camadas sociais excluídas e normalmente impedidas de acesso aos recursos públicos pois normalmente não têm poder de pressão sobre os governos. Uma boa educação pública para os mais pobres não interessa à maioria dos políticos e às elites econômicas.
Com tudo isso na frente, boa parte dos governantes esmorecem, desfalecem e desistem da educação e chegam à conclusão de que “educação de qualidade é para quem pode pagar”.
Depois, ainda saem repetindo, “esses alunos não querem nada, não se interessam e isso aqui não tem jeito mesmo”.
Quando o Estado se dispõe a priorizar a educação e criar condições para implantar este serviço público com qualidade, sabe que tem que considerar e tratar todos esses problemas. Aí onde entram como fortes aliadas as políticas públicas de inclusão social e de combate a fome capitaneadas pelo Governo Federal. Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos, Farmácia Popular, Pé de Meia e uma política econômica voltada para o desenvolvimento e geração de emprego e renda.
Quando o Governador Rafael Fonteles ganhou a eleição e disse que a Educação seria sua principal prioridade, o que mais ouvi era que aquilo era só promessa, pois “imaginem se o dono de uma das maiores escolas privadas do Piauí iria melhorar o nível educacional do ensino público estadual e criar um poderoso concorrente para seu negócio”?
Qual era o raciocínio? As pessoas que pensavam assim miravam a esmagadora maioria dos políticos, que no palanque falam uma coisa e na prática fazem outra; pois geralmente administram ou legislam para atender a interesses puramente pessoais.
Pois bem, agora estamos assistindo a uma verdadeira revolução na educação do Piauí. O Governo está cumprindo seu compromisso de campanha e a educação está sendo tratada como prioridade absoluta.
Priorizar a educação significa destinar uma grande parte dos recursos públicos e dos esforços do Estado para esta questão. Significa olhar o problema por inteiro e buscar soluções globais, que interfiram também nas condições de vida dos alunos e de suas famílias.
O Piauí é o primeiro estado da Federação a universalizar o Ensino Médio em Tempo Integral em suas escolas públicas e a ofertar cursos de Educação Profissional e Tecnológica em todas as escolas.
Implantar o ensino de tempo integral de qualidade, não significa apenas aumento da carga horária de 4h para 8h diárias de aula. Tem que haver condições e preparo para integrar o aluno à escola. Sua vida tem que girar em torno da educação. Ele deve passar a viver a educação. Significa, portanto, uma mudança filosófica de sua vida e que também reflete dentro das famílias. São mudanças cujos os principais resultados só serão medidos quando os alunos de hoje se tornarem profissionais.
Para dar andamento a uma política educacional planejada e transformadora todo sistema educacional deve passar por mudanças significativas, a começar pela estrutura das escolas, passando pelo mobiliário, implantação de novas bibliotecas e laboratórios de ciências e de informática; por importantes renovações e ampliações no quadro de servidores com formações e elaboração coletiva dos projetos pedagógicos adequados e necessários para a grande mudança.
Quem acompanha a implantação da nova política educacional do Governo do Estado percebe o dinamismo a efervescência da vida escolar em todos os rincões do Estado, nos dias atuais, com o envolvimento de alunos e familiares na dinâmica escolar. E isso é perfeitamente notado a começar nas reformas e equipagem das escolas.
Estou acostumado ouvir de pessoas que visitam as escolas reformadas a afirmação de que “parecem escolas de primeiro mundo”. Com as intervenções estruturais, nova pintura, móveis novos de qualidade, laboratórios de ciências e de informática, bibliotecas e quadras poliesportivas, surge assim uma nova escola.
Esse dinamismo também é percebido no currículo com mais aulas de Língua Portuguesa e Matemática. A preparação anual para o ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio, que se tornou um grande acontecimento, com cursos e atividades preparatórias em todo estado e em muitas outras atividades esportivas e culturais que são desenvolvidas nas escolas no decorrer do ano letivo.
São oportunidades e incentivos para participação de várias olimpíadas do conhecimento, tanto estaduais, regionais como nacionais e até internacionais. Os alunos também participam anualmente de vários torneios escolares, como por exemplo o Sedukaton, que é maratona estudantil para apresentação de projetos de tecnologia e inovação e a Jornada Estadual de Lançamento de Foguetes, que integra a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), além da Mostra Brasileira de Foguetes. Muitos alunos e professores viajam para fora do Brasil em intercâmbios de aprendizagens e mais uma série de acontecimentos que os mantém conectados o ano todo com as pautas de inovação da educação.
Nessa transformação, alunos e servidores da educação ainda ganham a possibilidade de atendimento médico dentro da própria escola através do Programa Piauí Saúde Digital que passa a ter espaço equipado dentro da escola com profissionais preparados para orientar para esse tipo de atendimento.
Foi implantada turmas especificas para preparar alunos para concorrerem às duas melhores universidades brasileiras, ITA, Instituto Tecnológico da Aeronáutica e IME, Instituto Militar de Engenharia, cujo acesso, devidas às dificuldades era só para quem pudesse cursar escolas muito caras. Essas turmas têm uma preparação especial, possuem os melhores professores do estado em suas áreas específicas e garantem bolsas aos alunos. Isso possibilita a quem é do interior do estado condições para se manter em Teresina.
Além dessas turmas para o vestibular ITA/IME, tem uma escola de línguas e um Centro de Atendimento especializado para alunos de altas habilidades. Ambas também reformadas e inseridas no contexto da nova educação.
A mudança pedagógica é percebida nas novas disciplinas que foram incorporadas ao currículo escolar, como aquelas associadas às ciências mais avançadas em termos tecnológicos do Brasil: o Piauí tem sido o estado brasileiro com o mais avançado currículo escolar no ensino público do Brasil em disciplinas como robótica e inteligência artificial, educação financeira e empreendedorismo.
É verdade que historicamente sempre tivemos casos no ensino público de jovens muito pobres que superaram preconceitos e grandes dificuldades e se formaram nos cursos mais concorridos do mercado como medicina, engenharia ou direito, por exemplo, e se tornaram destacados profissionais. Mas eram casos isolados advindos quase exclusivamente de esforços e superações pessoais e familiares, assim como das ações isoladas de algumas escolas, como o Augustinho Brandão em Cocal dos Alves e João Henrique Sousa, em Teresina, por exemplo.
Hoje temos uma política pública massiva que atinge todos os jovens de todos os municípios do estado de norte a sul, tanto nas cidades como na zona rural, independente da condição social. Todos têm as mesmas oportunidades e estão tendo os mesmos êxitos.
Não podemos esquecer que uma revolução como a que está acontecendo na educação do Piauí não acontece de uma hora para outra e aqui, vem desde o início do primeiro Governo Wellington Dias, que encontrou um verdadeiro caos, tudo sucateado e abandonado e com muitos municípios que nem sequer possuíam escola de ensino médio. O foco era reerguer e ampliar o acesso para todos os municípios e iniciar a melhoria da qualidade, o que foi feito.
Só para lembrar, em 2003 havia 74 municípios sem escola de ensino médio e no final de seu segundo mandato, além dos 74 municípios, vários povoados da zona rural já tinham sua escola de ensino médio. Foi a universalização do acesso.
Com a implantação da atual política educacional de qualidade e transformadora, as mais profundas raízes do atraso social herdadas do coronelismo e do colonialismo estão sendo atingidas. Ainda há muita resistência à inclusão social. De vez em quando acontecem manifestações discriminatórias que resistem à presença do pobre, do negro ocupando os mesmos espaços que os demais alunos.
A implantação da nova política educacional ampla, inclusiva e de qualidade abala as estruturas arcaicas e vai quebrar muitas amarras que vinham dificultando a mobilidade, a ascensão social e o desenvolvimento do Estado do Piauí.
Um belíssimo reconhecimento da grandeza e da profundidade da política educacional aqui implantada foi o reconhecimento pelo Ministério da Educação, através do Prêmio MEC da Educação Brasileira na categoria Educação Profissional e Tecnológica entregue ao Piauí no último dia 11 de agosto, por ter o maior percentual de estudantes pretos e pardos matriculados no ensino médio vinculado à Educação Profissional e Tecnológica.
Hoje, começamos a perceber os muitos frutos dessa mudança. No próximo artigo pretendo falar desses ganhos.
Deixe sua opinião: