Economia

Tarifaço de Trump completa um mês: Brasil busca adaptação e reforça defesa da soberania

Apesar das turbulências, os números do primeiro mês mostram que a diversificação de mercados tem sido a principal estratégia para reduzir os danos


Jornal Grande Bahia Tarifaço de Trump completa um mês: Brasil busca adaptação e reforça defesa da soberania
A queda de braço entre Trump e Lula vai continuar

As tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros completam um mês em vigor neste sábado (6). O impacto, embora significativo para setores específicos, não resultou na “hecatombe” econômica temida no anúncio inicial. A exclusão de cerca de 700 itens da sobretaxa e a rápida adaptação de empresas exportadoras explicam, em parte, a resiliência do comércio exterior brasileiro nesse período.

Segundo dados oficiais, as exportações para os EUA caíram 18,5% em agosto, mas o saldo geral foi positivo: crescimento de 3,9% nas vendas externas e superávit de US$ 6,1 bilhões na balança comercial, 35,8% acima do registrado no mesmo mês de 2024. A retração foi mais dura em segmentos que não constaram na lista de isenção, como o café, que sofreu queda de 50% nas exportações, e o mel, que teve desvalorização de cerca de 18% no preço pago aos produtores.

Outros setores, contudo, conseguiram reagir. A carne bovina, por exemplo, foi redirecionada para mais de 150 países, com destaque para o crescimento das vendas ao México e à China. A Embraer, beneficiada pela lista de exceções, manteve sua posição no mercado norte-americano. Ainda assim, pequenas e médias empresas enfrentaram dificuldades para reorganizar seus contratos e buscar alternativas logísticas.

No plano interno, o governo federal lançou o Plano Brasil Soberano, com R$ 30 bilhões em linhas de crédito para exportadores, prorrogação de isenções fiscais e estímulo à compra de produtos nacionais por órgãos públicos. Estados fortemente dependentes das vendas aos EUA, como o Ceará e Pernambuco, também adotaram medidas emergenciais para absorver parte da produção afetada.

No campo diplomático, o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas, alegando violação de compromissos multilaterais. Paralelamente, iniciou procedimentos para aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica, que autoriza contramedidas comerciais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou o discurso de defesa da soberania nacional e negou as acusações de Donald Trump sobre supostos privilégios a outros parceiros comerciais.

O pano de fundo político também pesa. Trump justificou as tarifas mencionando o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado no Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. Analistas avaliam que o processo pode influenciar a manutenção ou até o agravamento das medidas americanas.

Apesar das turbulências, os números do primeiro mês mostram que a diversificação de mercados — com forte crescimento das exportações para China e México — tem sido a principal estratégia para reduzir os danos. A incerteza, no entanto, permanece: a continuidade do tarifaço dependerá tanto do cenário político nos EUA quanto da capacidade brasileira de consolidar novos destinos para seus produtos.


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