Economia

Tarifa dos EUA ameaça Bolsa Família

Taxação de 50% anunciada pelos EUA pode elevar inflação e desemprego, forçando reajustes no benefício e ampliando número de famílias atendidas


MDS Tarifa dos EUA ameaça Bolsa Família
Bolsa Família

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em estado de alerta após o anúncio de uma tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, feito por Donald Trump no último dia 9 de julho. De acordo com o portal Metrópoles, integrantes do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome avaliam que a medida pode ter impacto direto no programa Bolsa Família — tanto no valor dos repasses quanto no número de famílias atendidas.

Dentro da pasta responsável pelo principal programa social do país, já circulam projeções preocupantes. O aumento das tarifas pode levar à alta da inflação, sobretudo nos preços dos alimentos, e à redução de vagas de trabalho. Em um cenário de agravamento econômico, duas consequências principais estão no radar: a necessidade de reajustar os valores pagos atualmente e o crescimento da demanda por inclusão no programa, com mais famílias entrando em situação de vulnerabilidade.

Apesar do desejo do governo de ampliar os benefícios por uma questão de justiça social, há o receio de que esse aumento se torne inevitável devido a pressões externas, como o aumento do custo de vida. Isso contraria a estratégia central da atual gestão, que busca, por meio da elevação da renda e da inclusão produtiva, reduzir gradualmente o número de famílias dependentes do programa.

Dólar e extrema pobreza: um fator adicional de preocupação

Outro ponto que vem sendo monitorado de perto é o câmbio. A valorização do dólar não impacta apenas os preços internos — ela também influencia o critério internacional que define a linha da extrema pobreza, utilizado por organismos multilaterais. Atualmente, são consideradas extremamente pobres as pessoas que vivem com menos de US$ 2,15 por dia. Ou seja, quanto mais alto o dólar, maior o número de brasileiros que passam a se enquadrar nessa classificação, mesmo que sua renda em reais não tenha mudado significativamente. Esse efeito pode prejudicar a imagem do Brasil no exterior, especialmente em um ano pré-eleitoral.

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