Política

Silêncio quebrado, crise mantida: Tarcísio endossa Flávio, mas pressão aumenta

Tarcísio entrou no jogo mas Centrão trava Flávio Bolsonaro


Reprodução Silêncio quebrado, crise mantida: Tarcísio endossa Flávio, mas pressão aumenta
Flávio Bolsonaro e Tarcisio de Freitas

Depois de três dias sem se manifestar sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto, Tarcísio de Freitas finalmente falou. E, quando falou, expôs mais dúvidas que certezas dentro do campo bolsonarista. O governador de São Paulo confirmou que soube da decisão diretamente do senador e do próprio Jair Bolsonaro — mas sua declaração, longe de representar entusiasmo, soou como um alinhamento forçado a um movimento que ele não controla.

Tarcísio reforçou a “lealdade inegociável” ao ex-presidente e admitiu que Flávio “vai contar com a gente”. Ainda assim, insistiu que “é cedo” para avaliar se a escolha foi acertada, sinalizando desconforto. Enquanto tentava demonstrar unidade, destacou que outros nomes da direita podem surgir — citou Romeu Zema, Ronaldo Caiado e até Ratinho Júnior —, o que dilui o protagonismo do filho de Bolsonaro e reforça a disputa silenciosa no bloco.

Flávio, por sua vez, endureceu o tom. Depois de flertar com a ideia de desistir “por um preço”, declarou à Folha de S.Paulo que sua candidatura é “irreversível” e “não está à venda”. Fez questão de lembrar que carrega o sobrenome Bolsonaro e descartou qualquer confronto com Tarcísio: para ele, o governador está fora da corrida — e permanecerá ao seu lado.

Nos bastidores, porém, nada está definido. A reunião realizada na casa de Flávio expôs o desconforto do Centrão, que não foi consultado sobre o anúncio. Ciro Nogueira e Antonio Rueda ouviram as condições impostas pelo senador — incluindo anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro —, mas preferiram ganhar tempo e consultar suas bancadas antes de qualquer gesto público.

O encontro serviu como o primeiro passo de Flávio para tentar consolidar uma candidatura que nasceu sem consenso e que enfrenta resistências na própria direita. Com Bolsonaro preso, o bolsonarismo se move sem coordenação central — e o apoio tardio de Tarcísio, cheio de ressalvas, deixa claro que a disputa de 2026 está longe de pacificada.

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