"Se fazem isso conosco, imagine os palestinos": o relato de Luizianne Lins sobre prisão em Israel
O grupo de 13 brasileiros chegou ao Brasil nesta quinta-feira (9), após ser libertado por autoridades israelenses
A deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) relatou ter sido vítima de tortura durante o período em que permaneceu detida em Israel, junto com outros brasileiros que integravam uma flotilha com destino a Gaza.
Segundo a parlamentar, o exército israelense atacou as embarcações do grupo e, após a interceptação, obrigou os passageiros a permanecerem por mais de uma hora ajoelhados, com a cabeça encostada no chão. “Foi uma situação que caracteriza tortura”, afirmou. Luizianne mostrou ferimentos nos joelhos, provocados pelo tempo em que precisou ficar nessa posição. “Se fizeram isso conosco, diante dos olhos do mundo, imagine o que sofrem diariamente os palestinos presos”, acrescentou.
Durante a detenção, a deputada relatou ter ouvido gritos de mulheres sendo agredidas. Algumas, segundo ela, tiveram o cabelo puxado por militares israelenses. Embora não tenha sido agredida fisicamente, Luizianne destacou que houve “muita tortura psicológica”. Entre as práticas descritas, estavam a privação de sono — os guardas batiam nas celas durante a noite para contar as presas — e a falta de água potável, obrigando o grupo a beber água do banheiro.
As celas, afirmou, estavam superlotadas, com cerca de 20 mulheres em espaços projetados para cinco pessoas. Um dos brasileiros, portador de diabetes, teria ficado três dias sem acesso a seu medicamento. A parlamentar relatou ainda que uma das integrantes da flotilha segue presa em solitária, após morder um militar que a arrastava pelos cabelos.
Luizianne também contou que, durante a abordagem, os detidos foram obrigados a segurar seus passaportes nas mãos e manter a cabeça abaixada. “Levantei a cabeça, curiosa para ver meus companheiros, e ouvi um grito”, relatou.
O grupo de 13 brasileiros, entre eles Luizianne, o ativista Thiago Ávila e a vereadora de Campinas (SP), Mariana Conti (PSOL), chegou ao Brasil nesta quinta-feira (9), após ser libertado por autoridades israelenses. Eles foram recebidos com aplausos e gritos de apoio no aeroporto de Guarulhos (SP) por militantes e políticos, como as deputadas Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e Mônica Seixas (PSOL-SP).
Usando lenços palestinos e algumas vestindo os mesmos moletons cinza usados na prisão, as brasileiras exibiam bandeiras da Palestina e camisetas com os dizeres “Free Palestina”. Dois integrantes da flotilha, entretanto, permanecem detidos em Israel.
A Embaixada de Israel foi procurada pela reportagem para comentar as denúncias, mas ainda não havia se manifestado até o fechamento deste texto.
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