Política

Queda histórica da fome no Brasil reflete avanço da economia, diz Wellington

Relatório SOFI 2026 destaca queda histórica da insegurança alimentar severa e melhora no acesso à alimentação saudável entre 2023 e 2025


Ricardo Stuckert Queda histórica da fome no Brasil reflete avanço da economia, diz Wellington
Lula e Wellington Dias

O Brasil permaneceu fora do Mapa da Fome e alcançou, entre 2023 e 2025, a menor taxa de insegurança alimentar severa já registrada. O relatório SOFI 2026, da FAO, também aponta melhora no acesso à alimentação saudável e destaca o impacto de indicadores econômicos favoráveis sobre os resultados.

O que aconteceu

O Brasil segue fora do Mapa da Fome e registrou uma redução histórica na insegurança alimentar severa no triênio 2023-2025. As informações constam no relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026 (SOFI), divulgado nesta terça-feira (21) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

De acordo com o levantamento, o país manteve abaixo de 2,5% a proporção da população sem renda suficiente para consumir a quantidade mínima de calorias necessárias para uma vida saudável. Esse percentual é medido pelo indicador de Prevalência de Subnutrição (PoU), utilizado pela FAO para definir a inclusão ou exclusão de países do Mapa da Fome.

O relatório também mostra que a insegurança alimentar severa caiu para 0,6% no triênio 2023-2025, o menor índice de toda a série histórica. O resultado mantém uma trajetória contínua de redução, após os percentuais de 6,6% no triênio 2021-2023 e 3,4% em 2022-2024.

Na comparação com o triênio 2020-2022, quando a insegurança alimentar severa atingiu o pico de 8,5% da população, equivalente a 17,9 milhões de pessoas, cerca de 16,7 milhões de brasileiros deixaram essa condição entre 2023 e 2025.

No Brasil, as ações de combate à fome são coordenadas pelo Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), que reúne políticas de proteção social, programas de transferência de renda, facilitação do crédito agrícola, compras públicas de alimentos e outras iniciativas estruturantes.

O SOFI 2026 também apontou melhora no acesso financeiro a uma alimentação saudável. A parcela da população sem condições de pagar por uma dieta adequada caiu de 24,1%, no triênio encerrado em 2023, para 21,1% no período finalizado em 2025.

Para calcular esses indicadores, a FAO considera dados macroeconômicos e demográficos, como tamanho da população, distribuição de renda e custo médio de uma cesta de alimentos saudáveis. No Brasil, o custo diário estimado de uma dieta saudável foi de US$ PPC 4,89 por pessoa, abaixo da média da América do Sul (US$ 4,94) e da América Latina e Caribe (US$ 4,91).

Segundo o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, os resultados refletem a recuperação dos indicadores macroeconômicos do país. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025.

O mercado de trabalho também apresentou melhora, com a taxa de desemprego encerrando 2025 em 5,6%. No mesmo ano, o rendimento médio mensal real domiciliar per capita alcançou R$ 2.264, o maior valor da série histórica do IBGE iniciada em 2012.

Outro fator destacado foi o comportamento da inflação dos alimentos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o setor fechou 2025 em 2,95%, enquanto a média anual da inflação dos alimentos no triênio 2023-2025 foi de 3,8%.

O relatório SOFI é publicado anualmente pela FAO em conjunto com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS). A edição de 2026 teve como tema "Compreender e enfrentar o alto custo de uma dieta saudável" e foi apresentada durante a 30ª sessão do Comitê de Agricultura (COAG), em Roma, na Itália.

No cenário global, o documento estima que 7,8% da população mundial enfrentou a fome em 2025, abaixo dos 8,1% registrados em 2024 e dos 8,6% observados em 2022. Em números absolutos, cerca de 645 milhões de pessoas viveram em situação de fome no triênio encerrado em 2025, uma redução de aproximadamente 14 milhões em relação a 2024 e de 43 milhões na comparação com 2022.

O relatório utiliza duas metodologias principais para avaliar a fome e a segurança alimentar. A Prevalência de Subnutrição (PoU) estima a parcela da população que não tem acesso ao mínimo de calorias necessárias para uma vida saudável e define a permanência de um país dentro ou fora do Mapa da Fome. Já a Escala de Experiência em Insegurança Alimentar (FIES) mede a percepção das famílias sobre sua situação alimentar por meio de questionários aplicados pela FAO desde 2014 e divulgados em médias trienais.

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