Política

Se Alcolumbre quer indicar ministro do STF, que dispute a Presidência da República

O comportamento do senador, deixa evidente sua tentativa de usurpar um poder que não lhe pertence: o de indicar ministros da Suprema Corte


Reprodução e IA Se Alcolumbre quer indicar ministro do STF, que dispute a Presidência da República
Alcolumbre quer ser presidente sem ter sido eleito para isso

A movimentação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para barrar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal escancara um método político que atropela a Constituição e transforma prerrogativa presidencial em moeda de chantagem. O comportamento do senador, deixa evidente sua tentativa de usurpar um poder que não lhe pertence: o de indicar ministros da Suprema Corte. A Constituição é explícita — a escolha é do presidente da República, e o Senado apenas sabatina e vota. Mas Alcolumbre age como se pudesse impor seu próprio candidato ao STF.

Desde que Luiz Inácio Lula da Silva anunciou Messias, Alcolumbre passou a operar nos bastidores para derrotá-lo. Favorece o tumulto, acelera ritos, pressiona senadores e mira colocar a votação ainda em dezembro, impedindo que o indicado construa diálogo com bancadas evangélicas, ministros do Supremo e líderes governistas. A pressa não é republicana: é calculada. O objetivo é não repetir o que ocorreu com André Mendonça, em 2021, quando, após meses de manobra, o indicado conseguiu articular apoios e venceu com margem segura. Agora, o senador quer sufocar o nome de Messias antes que qualquer articulação mínima prospere.

Por trás da hostilidade está a preferência de Alcolumbre por outros nomes — Rodrigo Pacheco ou até Augusto Aras. A escolha do presidente da República, no entanto, não lhe agrada. E, quando contrariadas, figuras como Alcolumbre partem para criar dificuldades para depois “vender facilidades”. É um método já conhecido no Senado, e que hoje é usado para chantagear o governo.

Estimativas de aliados indicam que Messias reúne entre 28 e 31 votos, longe dos 41 necessários. O placar apertado da recondução de Paulo Gonet à PGR — apenas 45 votos — acendeu o sinal vermelho no Planalto. O Senado mandou recado: a resistência existe, e Alcolumbre pretende capitalizá-la.

Messias tem buscado distensão. Divulgou carta ao presidente do Senado propondo diálogo, institucionalidade e respeito. Recebeu apenas uma resposta protocolar. A postura de Alcolumbre evidencia que não se trata de divergência técnica nem de debate jurídico. É disputa por poder. É chantagem política. É tentativa de tutelar a decisão presidencial.

Se Davi Alcolumbre deseja indicar ministros do Supremo, o caminho é simples: que se candidate à Presidência da República. A cadeira que escolhe ministros é a do chefe do Executivo — não a do presidente do Senado. Suas manobras, portanto, não apenas ferem a liturgia institucional, mas afrontam frontalmente a Constituição. Transformam o Senado em instrumento de sabotagem política e colocam em risco a independência entre os Poderes.

O governo tenta esfriar a crise, mas Alcolumbre aposta no calor. Mantém a fervura, conta votos e age como se pudesse impor sua vontade pessoal à República. A ofensiva contra Messias é menos sobre um nome e mais sobre um método: o de confundir prerrogativa constitucional com propriedade privada. E esse método precisa ser denunciado — porque chantagear um presidente e sequestrar decisões do Estado é incompatível com a democracia.

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