Rubens Paiva: 50 anos depois Exército ainda busca esconder arquivos ligados ao caso
Militares entraram com recurso contra decisão da CGU que determinou a entrega das fichas funcionais dos acusados de envolvimento na morte do ex-parlamentar
O Exército apresentou recurso, na sexta-feira (22), contra decisão da Controladoria-Geral da União (CGU) que determinava a liberação das fichas funcionais de militares acusados de participação no assassinato do ex-deputado Rubens Paiva, ocorrido em 1971 durante a ditadura militar.
A determinação da CGU, considerada inédita, atendeu a solicitação da agência de dados Fiquem Sabendo e fixou prazo de 30 dias para entrega dos documentos. A medida coincide com o aniversário de um ano da reabertura da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, intensificando pressões sobre o ministro da Defesa, José Múcio, para que sejam liberados arquivos militares mantidos sob sigilo.
No recurso, o Exército sustenta que a divulgação das fichas, mesmo após mais de cinco décadas, ameaça a “segurança institucional” e a privacidade dos acusados, em sua maioria já falecidos. A CGU, por outro lado, afirma que as informações tratam de violações de direitos humanos e, portanto, não podem ser resguardadas pelo segredo oficial.
O caso evidencia a resistência das Forças Armadas em admitir responsabilidades por crimes cometidos durante o regime militar. Documentos já obtidos anteriormente mostraram que cinco militares apontados no assassinato de Paiva foram promovidos, três receberam elogios formais e todos foram transferidos para a reserva, apesar das denúncias.
Rubens Paiva, então deputado federal, foi retirado de sua casa em 1971 por agentes militares e desapareceu. Sua trajetória foi retratada por seu filho, o escritor Marcelo Rubens Paiva, no livro Ainda Estou Aqui. A obra inspirou o filme homônimo, primeiro brasileiro a vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional, que narra a luta de Eunice Paiva e dos filhos diante da violência da ditadura.
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