Quem é a favor do Brasil e quem é favor dos EUA ?
Tarcísio é Sílvério dos Reis, Lula é Tiradentes

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2) um pacote de tarifas recíprocas que entrarão em vigor a partir de abril. Segundo o republicano, todas as importações vindas do Brasil serão taxadas em 10%, enquanto os países que aplicam tarifas sobre produtos norte-americanos pagarão ao menos metade da alíquota cobrada pelos EUA. As medidas protecionistas do governo estadunidense representam um ataque direto à economia brasileira, com impactos negativos sobre a indústria, o agronegócio e outros setores que dependem do mercado norte-americano.
Diante dessa ofensiva comercial, a reação no Brasil foi marcada por um claro contraste entre lideranças políticas. De um lado, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que em janeiro deste ano publicou uma foto usando um boné com o lema de campanha de Trump, "Faça a América grande novamente". Sua postura contradiz os interesses do estado que governa, já que São Paulo é o maior exportador brasileiro para os Estados Unidos, respondendo por 33,6% das vendas nacionais ao mercado norte-americano em 2024. Além disso, dois terços das exportações brasileiras para os EUA provêm de estados governados por políticos que se alinharam ao bolsonarismo, corrente política que idolatra Trump sem qualquer senso crítico.
Por outro lado, o governo federal reagiu com uma ação concreta para defender os interesses nacionais. O Congresso aprovou o Projeto de Lei 2.088/2023, que institui a Lei da Reciprocidade Comercial, permitindo ao Brasil adotar medidas comerciais contra países que imponham barreiras aos produtos brasileiros. Paralelamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou a campanha "O Brasil é dos brasileiros", reforçando o compromisso com a soberania econômica e a proteção da indústria nacional.
O contraste entre as posturas de Lula, Tarcísio e Jair Bolsonaro diante da política comercial de Trump ressalta uma divisão histórica que remonta aos primórdios da nação. O advogado, historiador e jornalista Barbosa Lima Sobrinho costumava dizer que no Brasil sempre existiram dois partidos: o de Tiradentes, que defende a soberania nacional, e o de Joaquim Silvério dos Reis, que trai os interesses do povo brasileiro. Lula, ao se posicionar contra o tarifaço e agir para proteger a economia nacional, se alinha à tradição de defesa da independência econômica. Tarcísio e Bolsonaro, ao apoiarem as tarifas de Trump e atacar o Brasil com a retórica sobre um suposto "vírus socialista", reafirmam a subserviência às potências estrangeiras, ecoando a história de Silvério dos Reis.
O tarifaço de Trump representa mais do que uma crise comercial; ele expõe uma encruzilhada política e econômica para o Brasil. De um lado, está a possibilidade de defender os interesses nacionais com coragem e altivez, apostando na reindustrialização, na geração de empregos e no fortalecimento do comércio exterior com base em condições justas. De outro, há a submissão a um modelo que privilegia os interesses de Washington em detrimento da economia brasileira.
A história cobrará a conta dos que se colocam contra o desenvolvimento do Brasil. No momento em que o país precisa de lideranças comprometidas com a sua soberania, a escolha é clara: ficar ao lado do "partido de Tiradentes" ou repetir os erros de Silvério dos Reis. O Brasil é dos brasileiros — e precisa agir como tal.
Texto elaborado a partir de contribuições dos jornalistas Aquiles Lins e Leonardo Attuch para o 247
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