PT-RJ se divide: Quaquá quer Neguinho da Beija-Flor no Senado
Disputa interna no PT-RJ esquenta com o possível lançamento do cantor Neguinho da Beija-Flor contra Benedita da Silva ao Senado
O prefeito de Maricá (RJ) e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, vive uma nova fase de atritos internos no partido no Rio de Janeiro, desde que surgiu a ideia de lançar o cantor Neguinho da Beija-Flor como candidato ao Senado.
Quaquá começou a testar o nome de Neguinho nas redes sociais no início de outubro. Paralelamente, correligionários como a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) divulgaram manifesto em apoio à deputada Benedita da Silva (PT-RJ) para a mesma vaga.
O grupo de Quaquá controla a legenda no estado — seu filho, Diego Zeidan, é presidente do diretório estadual desde as eleições de julho.
Obstáculos à candidatura de Neguinho
Apesar da articulação, a candidatura de Neguinho enfrenta resistência, inclusive do próprio artista, que, segundo fontes, ainda não se comprometeu totalmente com a ideia. Ele e seus representantes não responderam aos contatos da reportagem.
Em contrapartida, Benedita afirmou ter recebido uma ligação de Neguinho, que teria demonstrado apoio à deputada durante o telefonema.
Críticas e atritos internos
No último sábado (25), Quaquá usou as redes sociais para criticar Lindbergh e o secretário de Assuntos Parlamentares do governo, André Ceciliano, por não mencionarem o presidente Lula em vídeo durante visita a Casimiro de Abreu, no norte fluminense. O prefeito sugeriu que ambos estariam usando influência junto à ministra Gleisi Hoffmann para fazer política própria.
Horas depois, Lindbergh respondeu, chamando Quaquá de “figura desprezível” e criticando seu “baixo nível”. O deputado acusou Quaquá de perseguir Benedita e adotar posturas que prejudicam o PT.
Anielle Franco, também apoiadora de Benedita, já teve desavenças públicas com Quaquá. Em janeiro, Quaquá sugeriu a inocência dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão na morte da vereadora Marielle Franco, irmã de Anielle, o que levou a ministra a acionar a comissão de ética do partido. Um mês depois, Quaquá acusou Anielle de indicar um suposto funcionário fantasma na Prefeitura de Maricá, acusação negada por ela, que também acionou a comissão de ética.
Neguinho da Beija-Flor
Após se despedir do Carnaval no último desfile da Beija-Flor, Neguinho passou a focar em sua carreira musical, com shows e lançamentos de singles. Desde fevereiro, divide seu tempo entre Brasil e Portugal, onde parte da família reside.
O grupo que defende sua candidatura acredita que o cantor pode atrair votos além do campo progressista, em uma disputa que terá concorrentes como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador Cláudio Castro (PL). Inspiram-se no exemplo de Romário, eleito deputado em 2010 e senador em 2014.
O outro grupo, liderado por Anielle, Lindbergh e Marcelo Freixo, defende que Benedita já está pronta para a disputa e possui experiência para angariar votos fora da esquerda. Eles lançaram manifesto nas redes sociais pedindo apoio à deputada.
Durante agenda com Lula, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), fez um aceno a Benedita, chamando-a, em tom de brincadeira, de “senadora” antes de corrigir para “deputada”.
Filiação partidária e relação com Lula
Neguinho é filiado há mais de uma década ao PL, partido do prefeito de Nilópolis, Abraãozinho, sobrinho de Anísio Abraão David, patrono da Beija-Flor. O PT estuda a desfiliação do cantor para viabilizar a candidatura.
O artista tem relação próxima com Lula. Em 2009, durante tratamento de câncer, se casou informalmente na Marquês de Sapucaí, com Lula como padrinho. Benedita da Silva também esteve presente, acompanhada do ator Antônio Pitanga.
Nas eleições de 2024, Neguinho produziu jingles para candidatos do PT em municípios como Japeri, Paracambi e Maricá, além de participar de campanhas de outros partidos, como PSOL e MDB.
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