Guerra no PL do Pará: vereador acusa Éder Mauro e pede investigação da Polícia Federal
Segundo o documento entregue à Polícia Federal, o suposto esquema teria origem em recursos federais liberados por meio de emendas parlamentares
A crise interna no Partido Liberal (PL) no Pará ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (22), após o vereador de Belém Zezinho Lima protocolar uma notícia-crime na Superintendência Regional da Polícia Federal (PF), solicitando a abertura de investigação sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares destinadas à saúde.
O documento tem como principais alvos o deputado federal Delegado Éder Mauro (PL-PA), o vereador Mayky Vilaça (PL-PA), um chefe de gabinete, um irmão do parlamentar e outras pessoas que, segundo a denúncia, teriam participado de um suposto esquema envolvendo cobrança de propina, lavagem de dinheiro e ocultação de valores.
A apresentação da notícia-crime amplia o confronto entre duas lideranças do PL paraense, que já vinha sendo marcado por troca de acusações públicas, divulgação de supostos comprovantes de movimentações financeiras e promessas de levar o caso às autoridades.
O que diz a notícia-crime
Segundo o documento entregue à Polícia Federal, o suposto esquema teria origem em recursos federais liberados por meio de emendas parlamentares destinadas a municípios do Pará para investimentos na área da saúde.
A principal acusação sustenta que prefeitos contemplados com essas emendas seriam obrigados a devolver cerca de 30% dos valores recebidos como contrapartida pela liberação dos recursos. Conforme a narrativa apresentada pelo vereador, esse percentual configuraria pagamento de vantagem indevida aos envolvidos.
A notícia-crime afirma ainda que a movimentação financeira teria sido realizada por intermédio do ex-assessor parlamentar Lucas Rego de Brito, apontado como operador financeiro do suposto esquema.
De acordo com a denúncia, Lucas teria recebido recursos em sua conta bancária e posteriormente realizado transferências para terceiros. O documento também afirma que ele teria sido coagido, ameaçado e agredido fisicamente após perder aproximadamente R$ 1,8 milhão em apostas on-line, fato que, segundo a peça, teria comprometido parte dos valores movimentados.
Crimes apontados
Na representação apresentada à Polícia Federal, Zezinho Lima pede a apuração da possível prática dos seguintes crimes:
- corrupção passiva;
- corrupção ativa;
- peculato;
- concussão;
- lavagem de dinheiro;
- associação criminosa;
- coação no curso do processo.
Segundo a notícia-crime, todos esses delitos estariam relacionados ao suposto uso irregular de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares federais.
Quais provas foram apresentadas
O documento informa que existem elementos que, segundo o denunciante, poderiam comprovar os fatos narrados, entre eles:
- extratos bancários;
- comprovantes de transferências via Pix;
- vídeos;
- fotografias;
- capturas de tela de conversas;
- registros financeiros.
Esses materiais, entretanto, ainda deverão ser analisados pelas autoridades competentes caso seja instaurada uma investigação. A autenticidade e o valor probatório de cada documento dependerão da avaliação da Polícia Federal e, eventualmente, do Ministério Público Federal e da Justiça.
Notícia-crime não significa condenação
É importante destacar que o protocolo de uma notícia-crime não representa prova dos fatos narrados nem implica condenação dos citados.
Prevista no artigo 5º, §3º, do Código de Processo Penal, a notícia-crime é um instrumento que permite a qualquer cidadão comunicar às autoridades a possível ocorrência de infrações penais para que sejam analisadas.
Após o recebimento do documento, cabe à Polícia Federal realizar uma avaliação preliminar para verificar se existem indícios suficientes que justifiquem a abertura de um inquérito policial.
O que acontece agora
Com o protocolo da notícia-crime, a Polícia Federal deverá autuar o documento e encaminhá-lo ao setor responsável pela análise de crimes contra a administração pública.
Na sequência, um delegado federal fará uma análise preliminar para decidir se há elementos mínimos para instaurar investigação. Conforme os procedimentos internos da corporação, a decisão sobre eventual abertura de inquérito poderá ocorrer após essa fase inicial.
O Ministério Público Federal informou ao DOL que recebeu a notícia-crime protocolada pelo vereador Zezinho Lima e que o material aguarda análise preliminar da instituição.
O que dizem os envolvidos
Poucas horas após a apresentação da denúncia, o deputado federal Delegado Éder Mauro divulgou vídeo nas redes sociais negando as acusações. O parlamentar afirmou ser vítima de fake news e de uma tentativa de "assassinato de reputação".
Até o momento, o vereador Mayky Vilaça não havia se manifestado oficialmente sobre as acusações.
Em nota, o Diretório Estadual do Partido Liberal informou que acompanha os acontecimentos envolvendo as duas lideranças e anunciou a abertura de procedimentos internos para apurar o caso.
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