"Povo Abençoado do Brasil": Janja trata com mulheres evangélicas e Malafaia não gosta
“Não existe a ‘Janja’ versão evangélica. Existe a Janja que acredita em Deus", disse a primeira-dama
A primeira-dama Rosângela “Janja” Lula da Silva participou nesta segunda-feira (25) de um encontro com mulheres evangélicas na igreja Coletivação, em Ceilândia, no Distrito Federal. A atividade foi promovida pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e integra uma série de reuniões já realizadas no Rio de Janeiro, Salvador e Manaus. O objetivo é promover espaços de escuta e diálogo sobre fé, cidadania e políticas públicas. Com informações do ICL.
Janja ressaltou a importância de integrar as mulheres nos processos de decisão política e social. Nilza Valeria, coordenadora nacional da Frente, reforçou o protagonismo feminino no campo religioso: “As mulheres são a base da família, da sociedade e da igreja. Somos nós, mulheres, que fazemos a vida acontecer com nossos trabalhos, nosso cuidado, nossa fé.” Para ela, a disposição da primeira-dama em ouvir as mulheres evangélicas demonstra que o diálogo é essencial para discutir direitos e cidadania.
Os encontros organizados pela Frente têm debatido questões como o enfrentamento da fome, a violência doméstica, a pobreza menstrual e a desigualdade racial. Em Manaus, no último dia 20, Janja afirmou: “Não existe a ‘Janja’ versão evangélica. Existe a Janja que acredita em Deus, que acredita que Deus se manifesta de diferentes formas. E eu acredito muito que nós mulheres podemos fazer a diferença nas igrejas, nos nossos templos, não importa de que forma Deus se manifesta dentro de nós.”
Segundo o Censo 2022 do IBGE, os evangélicos representam 26,9% da população brasileira. Desse total, 49,1% se declararam pardos e 12% pretos, totalizando 61,1% de fiéis negros. Além disso, 55,4% dos evangélicos são mulheres, o que confirma a predominância feminina nas igrejas, onde desempenham papel central na sustentação das comunidades, embora nem sempre reconhecidas formalmente em cargos de liderança.
O encontro em Ceilândia foi alvo de críticas do pastor e empresário Silas Malafaia. Em entrevista ao portal Metrópoles, ele declarou: “Eu dou risada desses encontros de Janja. Tudo arrumado com gente que não tem nenhum pingo de expressão no mundo evangélico, nenhuma mulher de expressão no mundo evangélico. Eu conheço quem é quem no mundo evangélico. Não tem uma, uma de centenas de mulheres de expressão do mundo evangélico.”
As críticas de Malafaia surgem no mesmo momento em que seu nome aparece em uma investigação da Polícia Federal sobre um aporte de R$ 18 milhões feito por um sheik árabe no esquema de pirâmide da Braiscompany, empresa acusada de fraudes com criptomoedas.
Procurada pela reportagem, Nilza Valeria não comentou diretamente as falas do pastor, mas reafirmou o propósito dos encontros: “A disposição da primeira-dama em ouvir como as mulheres evangélicas manifestam a crença em Cristo, o acolhimento e o cuidado com os que precisam de socorro é a disposição de quem sabe que o diálogo é fundamental para falarmos de direitos, de cidadania. Nossos encontros com mulheres mostram que o Brasil pode diminuir as desigualdades, a violência, garantir saúde e educação. As mulheres evangélicas possuem voz e, graças a Deus, estamos sendo ouvidas.”
O ministro Jorge Messias, titular da Advocacia-Geral da União, também defendeu as iniciativas em entrevista ao Metrópoles: “Todos nós vamos prestar contas a Deus. Só Deus é quem sabe quem é quem de verdade no mundo evangélico.”
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