"Povo Abençoado do Brasil": dívidas de Malafaia disparam e já somam quase R$ 30 milhões
No total, os débitos ativos de Malafaia e suas instituições junto à União ultrapassam R$ 17 milhões e seguem em cobrança. Parte das dívidas, cerca de R$ 4 milhões, já está sendo paga de forma parcelada.
As dívidas de impostos da igreja, da editora e de outros empreendimentos do pastor Silas Malafaia e de sua família aumentaram cinco vezes nos últimos quatro anos, alcançando quase R$ 30 milhões, segundo levantamento do UOL com base em registros da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Em 2021, os débitos somavam pouco mais de R$ 4,9 milhões — cerca de R$ 6,4 milhões corrigidos pela inflação. Hoje, quatro instituições ligadas ao pastor acumulam R$ 29,3 milhões em dívidas. Mais da metade corresponde à Previdência Social (R$ 16 milhões). Outras parcelas incluem quase R$ 8,5 milhões em Imposto de Renda e R$ 2,36 milhões em CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), imposto que tem sido alvo de disputa no Congresso sobre a tributação de igrejas.
Defesa de Malafaia
Procurado, Malafaia atribuiu os valores a parcelamentos e renegociações. Ele afirmou que a editora Central Gospel, em recuperação judicial, deixou de pagar um acordo e precisou refinanciá-lo. Já a Avec Entidade Religiosa teria perdido a imunidade tributária em 2010, decisão que, segundo ele, é contestada judicialmente.
“Se eu fosse milionário, eu ia deixar uma editora em recuperação? A dificuldade é da própria editora”, declarou. O advogado do pastor, Jorge Vacite Neto, disse que os débitos estão em “processo de revisão interna”.
Avião e investigação
Na Avec está registrada uma aeronave Cessna 650 Citation III, avaliada em cerca de R$ 12 milhões, mas que está com certificado de voo suspenso desde abril, segundo a Anac.
Malafaia também se queixou das investigações da Polícia Federal, que o incluiu no inquérito sobre obstrução de Justiça em processos envolvendo Jair Bolsonaro (PL). O pastor foi alvo de buscas ao desembarcar de uma viagem internacional.
Multas trabalhistas
Além das dívidas fiscais, a Assembleia de Deus Vitória em Cristo foi multada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) por irregularidades trabalhistas. Em abril, a pasta constatou que a igreja deixou de recolher regularmente o FGTS de 423 funcionários e não pagou a multa de 40% em casos de demissão sem justa causa para 91 trabalhadores.
O MTE também identificou que 88 empregados não receberam o FGTS relativo ao mês da rescisão e ao anterior. Malafaia quitou as multas administrativas e afirmou que se tratou de atraso. “Só porque atrasei um mês, eles vieram atrás de mim. Um mês!”, reclamou.
Segundo ele, os débitos foram parcelados conforme a lei. O pastor também questiona na Justiça cobranças que considera indevidas, como uma notificação de R$ 1,5 milhão em FGTS.
Situação atual
No total, os débitos ativos de Malafaia e suas instituições junto à União ultrapassam R$ 17 milhões e seguem em cobrança. Parte das dívidas, cerca de R$ 4 milhões, já está sendo paga de forma parcelada.
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