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Por que Bolsonaro quer ficar internado no hospital mesmo após alta

Alexandre de Moraes negou o pedido e determinou o retorno do ex-presidente à custódia da Polícia Federal


Bloomberg/Getty Images Por que Bolsonaro quer ficar internado no hospital mesmo após alta
Jair Bolsonaro

Bolsonaro pediu para permanecer internado mesmo após a alta, enquanto aguarda decisão sobre prisão domiciliar. Alexandre de Moraes negou o pedido e determinou o retorno do ex-presidente à custódia da Polícia Federal.

O QUE ACONTECEU 

Mesmo com previsão de alta médica para esta quinta-feira (1º), Jair Bolsonaro pediu ao Supremo Tribunal Federal para permanecer internado no hospital em Brasília, evitando o retorno imediato à custódia na Superintendência da Polícia Federal. O pedido foi protocolado na madrugada do Ano-Novo e busca manter o ex-presidente no hospital enquanto aguarda a análise de um requerimento de prisão domiciliar humanitária já apresentado ao tribunal.

O relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes, negou um novo pedido da defesa para que Bolsonaro cumpra prisão domiciliar após a alta. Na decisão, Moraes determinou que, uma vez liberado pela equipe médica, o ex-presidente retorne à custódia da Polícia Federal, onde estava antes da internação iniciada em 24 de dezembro. Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia de hérnia e a um procedimento para bloqueio do nervo frênico, na tentativa de conter crises persistentes de soluços.

Na decisão, Moraes afirmou que, “nos termos do artigo 21 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”, indefere o novo pedido da defesa, determinando o retorno do réu ao cumprimento da pena em regime fechado, na Sala de Estado-Maior da Superintendência da PF no Distrito Federal.

Os advogados sustentaram que a permanência na PF poderia agravar o estado de saúde do ex-presidente, alegando “falta de cuidados adequados”. Também solicitaram que Bolsonaro permanecesse internado até uma decisão definitiva sobre a prisão domiciliar. No novo requerimento, a defesa comparou a situação do ex-presidente à de Fernando Collor de Mello, que obteve autorização para cumprir pena em casa após diagnóstico de apneia do sono — argumento que não foi acolhido pelo relator.

Segundo o advogado Paulo Cunha Bueno, a idade e as comorbidades de Bolsonaro exigem cautela, sob risco de complicações como pneumonia, insuficiência respiratória, AVC e crises hipertensivas. A equipe médica informou que uma avaliação de rotina seria realizada ainda nesta manhã para conceder a alta, o que só deixaria de ocorrer em caso de nova intercorrência clínica. O horário da transferência para a custódia da PF dependerá de autorização judicial.

Os médicos Brasil Caiado e Cláudio Birolini afirmaram que os soluços não cessaram mesmo após o bloqueio do nervo frênico e que a hipótese é de origem neurológica, com tratamento medicamentoso. De acordo com a equipe, Bolsonaro apresentou piora de humor durante as crises, solicitou uso de antidepressivos e requer cuidados adicionais por conta da apneia do sono e do risco de quedas.

A defesa também avalia a possibilidade de o relator solicitar um parecer da Procuradoria-Geral da República, o que poderia prolongar a permanência hospitalar. Até o momento, Moraes não acolheu os pedidos apresentados.

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