PIX sob ataque: cadê o Nikolas? “Quanto custa o lobby contra o PIX?”
Jornalista Reinaldo Azevedo conecta os pontos entre os dois ataques sofridos pelo PIX, o de Nikolas Ferreira no início do ano e o de agora, de Donal Trump
Criado em novembro de 2020 pelo Banco Central do Brasil, o PIX surgiu como uma revolução nos meios de pagamento no país. Totalmente gratuito para pessoas físicas, com funcionamento instantâneo, 24 horas por dia e sete dias por semana, o sistema logo caiu no gosto da população. Em poucos meses, tornou-se o meio de pagamento mais utilizado no Brasil, superando TEDs, DOCs, boletos e até mesmo o uso de dinheiro em espécie. O sucesso do PIX representou um passo ousado de autonomia do Estado brasileiro em relação aos grandes conglomerados financeiros e às tradicionais bandeiras de cartão.
No entanto, essa política pública, marcada pela inclusão financeira e inovação tecnológica, sofreu um ataque direto no início de 2025. O protagonista foi o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que divulgou nas redes sociais um vídeo repleto de desinformação sobre o PIX. Nas imagens, o parlamentar espalhou fake news afirmando, entre outras coisas, que o sistema seria uma ferramenta de controle estatal, insinuando vínculos com teorias conspiratórias sem qualquer base factual. A repercussão foi imediata, com o vídeo sendo amplamente compartilhado entre grupos bolsonaristas, ecoando suspeitas infundadas e levantando desconfianças sobre o sistema que, até então, era amplamente aprovado pela população.
O episódio ganhou novos contornos quando, semanas depois, o ex-presidente norte-americano Donald Trump passou a mirar o PIX em suas falas públicas. Durante um evento com empresários nos Estados Unidos, Trump sugeriu que o sistema brasileiro representava um “obstáculo às empresas americanas”, citando nominalmente as gigantes Mastercard e Visa. Na prática, o PIX vem reduzindo o espaço das bandeiras tradicionais de cartão de crédito e débito, ao eliminar intermediários e taxas que encarecem as transações — um modelo que contraria os interesses dessas corporações globais.
O jornalista Reinaldo Azevedo foi um dos primeiros a conectar os pontos. Em comentário publicado no UOL, Azevedo trouxe o tema à tona com a contundência que lhe é característica. Apontando para a sincronia entre o ataque interno — via Nikolas Ferreira — e a investida internacional capitaneada por Trump, o jornalista lançou a pergunta incômoda: “Quanto custa o lobby contra o PIX?”. E mais: será coincidência que o ataque de Nikolas Ferreira tenha vindo na mesma linha do interesse das empresas que seriam diretamente beneficiadas com o enfraquecimento do sistema?
O questionamento não é trivial. A história recente da política brasileira já demonstrou que interesses econômicos estrangeiros muitas vezes operam com braços locais — parlamentares, influenciadores, veículos e campanhas orquestradas. Reinaldo sugere que o episódio pode não ter sido apenas fruto da ignorância ou da paranoia conspiratória de um deputado, mas parte de uma ação coordenada, em que o Brasil mais uma vez se vê vulnerável diante da pressão de lobbies internacionais.
Deixe sua opinião: