Pix R$ 650 mil conecta marqueteiro de Flávio a estratégia contra o BC
Marcello Lopes é apontado como um dos principais estrategistas de Flávio
Segundo informações publicadas pela revista Fórum, documentos e comprovantes bancários obtidos pela Folha de S.Paulo apontam que o publicitário Marcello Lopes, aliado próximo de Flávio Bolsonaro, integrou o “Projeto DV”, operação investigada pela Polícia Federal por ataques ao Banco Central. O caso envolve um Pix de R$ 650 mil, versões contraditórias dos envolvidos e conexões com o escândalo do Banco Master.
O que aconteceu
As investigações sobre o esquema envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro avançaram após a revelação de documentos que citam o publicitário Marcello Lopes, conhecido como “Marcelão”, como integrante do chamado “Projeto DV”. A operação é investigada pela Polícia Federal por promover ataques coordenados contra o Banco Central e servidores da instituição.
Marcello Lopes é apontado como um dos principais estrategistas da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro para 2026. Ex-policial civil do Distrito Federal e aliado próximo do senador, ele atua na coordenação de inteligência política, comunicação digital e inserções em rádio e televisão.
Segundo os documentos citados pela Fórum, Marcelão aparece na “equipe de estrategistas” do “Projeto DV”, ao lado de Thiago Miranda, proprietário da agência Mithi, e Anderson Nunes, da Unltd Network. O plano teria sido contratado por R$ 8 milhões para pressionar dirigentes do Banco Central após decisões contrárias aos interesses do Banco Master.
A investigação apura o uso de cerca de 40 perfis de influenciadores digitais para disseminar ataques e narrativas contra integrantes do BC, especialmente contra Renato Gomes, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro.
O caso ganhou repercussão após a identificação de uma transferência via Pix de R$ 650 mil para Marcello Lopes, realizada em 13 de dezembro, período em que o plano estaria sendo estruturado.
Ao ser questionado, Marcelão afirmou que o valor se refere a serviços e consultorias prestados anteriormente, sem relação com o “Projeto DV”. Ele também alegou que cláusulas de confidencialidade o impedem de apresentar contratos ou detalhar os serviços.
Thiago Miranda, por sua vez, apresentou outra versão. Segundo ele, o pagamento teria sido feito para garantir a participação de Marcelão no projeto, já que sua presença daria mais credibilidade ao plano perante Daniel Vorcaro. Miranda afirmou ainda que o publicitário devolveu o dinheiro após deixar o grupo, mas disse não possuir comprovantes do estorno porque sua equipe financeira estaria de férias.
As contradições entre os relatos ampliaram as suspeitas sobre a origem e a finalidade do repasse.
A reportagem da Fórum também destaca que aliados próximos da família Bolsonaro aparecem ligados às investigações. Entre eles estão Ciro Nogueira, apontado como articulador de interesses de Vorcaro, e Antônio Rueda, presidente do União Brasil, citado em contratos investigados pelas autoridades.
Além disso, investigadores analisam repasses feitos por pessoas ligadas a Daniel Vorcaro para campanhas políticas em 2022, incluindo valores destinados a Jair Bolsonaro e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Com a inclusão de Marcello Lopes nas investigações, o caso amplia a pressão sobre a pré-campanha de Flávio Bolsonaro e aumenta o impacto político do escândalo do Banco Master.
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