Piloto teme por vida após denunciar Ciro Nogueira e Rueda
Mauro Caputti Mattosinho afirmou que corre o risco de ser eliminado e pede compartilhamento de vídeo; veja aqui
O piloto Mauro Caputti Mattosinho, de 38 anos, que recentemente denunciou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), publicou um vídeo nas redes sociais afirmando estar com medo e pedindo apoio público para garantir sua segurança.
“Eu tô com medo, bastante, mas a indignação de tanto tempo um dia ficou maior que o medo”, afirmou. “Esses políticos poderosos, a gente sabe que eles têm mídia, eles têm dinheiro, eles têm o sistema e já estão atuando nos bastidores. E eu só tenho vocês”, disse Mattosinho, pedindo que o vídeo seja compartilhado para ampliar sua visibilidade. “Minha segurança depende disso.”
Relembre o caso
Mattosinho foi piloto de jatinhos usados por líderes do PCC, incluindo Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, o "Primo", ambos atualmente foragidos. Em entrevista ao ICL Notícias no dia 31 de agosto, o piloto revelou — inicialmente de forma anônima — que entregou uma sacola com dinheiro em espécie ao senador Ciro Nogueira, a mando dos dois líderes da facção.
Segundo ele, a entrega aconteceu em Brasília, no dia 6 de agosto de 2024, após um voo realizado no jato bimotor Israel G150, de prefixo PR-SMG, supostamente pertencente a empresários ligados à Copape Produtos de Petróleo. O piloto afirma ter filmado a sacola, “no intuito de demarcar que eu não estava maluco”.
Ainda de acordo com Mattosinho, o alerta sobre a natureza da carga partiu de Epaminondas Chenu Madeira, dono da empresa Táxi Aéreo Piracicaba (TAP). “Aquela sacola de papel me foi apontada por pessoas da empresa como uma sacola que deveria ser especialmente cuidada. E esse tipo de comunicação se dava para que nós entendêssemos que ali continha dinheiro”, contou.
O senador Ciro Nogueira nega qualquer relação com os envolvidos e afirmou não ter recebido qualquer valor, nem manter vínculos com Beto Louco. Após a publicação da primeira reportagem, o parlamentar divulgou publicamente o número do jornalista Leandro Demori, que buscava sua versão sobre os fatos.
Em nova entrevista divulgada nesta quinta-feira (18), Mattosinho acrescentou que Antonio Rueda, presidente do União Brasil, seria o "dono oculto" de aeronaves utilizadas por membros do PCC, incluindo as envolvidas nos transportes citados.
O piloto também afirmou que os líderes da facção atuam na elite financeira e política de Brasília e São Paulo. “A facção chegou na Faria Lima”, declarou, em referência à região símbolo do mercado financeiro paulistano, hoje citada como base de operações do braço sofisticado do crime organizado.
Investigação
As denúncias ocorrem no contexto de uma investigação da Polícia Federal que desvendou ramificações do PCC junto ao setor empresarial e político. Beto Louco e Primo são alvos de mandados de prisão e seguem foragidos.
A Procuradoria-Geral da República ainda não se manifestou publicamente sobre as novas acusações envolvendo autoridades com foro privilegiado.
Enquanto isso, Mattosinho afirma temer represálias e insiste que sua única proteção é a visibilidade do caso. “Quanto mais olhos nessa história, melhor a chance de eles não conseguirem nos calar.”
Com informações da Fórum.
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