PF prende nº 2 do Ministério da Previdência
Operação investiga descontos ilegais em aposentadorias e pensões
O secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal, foi preso nesta quinta-feira (18) em nova fase da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em benefícios do INSS. A Justiça decretou prisão domiciliar. A investigação mira descontos irregulares em aposentadorias e pensões em vários estados.
O que aconteceu
O secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal, considerado o segundo nome mais importante da pasta, foi preso na manhã desta quinta-feira (18) durante mais uma etapa da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal. Por decisão judicial, a prisão ocorreu em regime domiciliar, e o dirigente foi afastado do cargo.
A operação investiga um amplo esquema de fraudes em benefícios previdenciários, baseado na aplicação de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo os investigadores, a prática atingiu segurados em diversos estados e teria causado prejuízos bilionários.
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Nesta fase da ofensiva, a PF também realizou buscas relacionadas ao senador Weverton Rocha (PDT-MA). Embora não seja formalmente investigado no inquérito, o parlamentar confirmou encontros com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais articuladores do esquema. As reuniões ocorreram tanto no Senado quanto na residência do senador, em Brasília, durante um encontro social.
Weverton afirmou que conheceu Antunes em um churrasco e que o empresário se apresentou como atuante no setor farmacêutico. O senador disse ainda que recebeu Antunes em seu gabinete ao menos três vezes, sempre para discutir a pauta legislativa sobre a legalização da importação de produtos à base de cannabis para uso medicinal, negando qualquer irregularidade.
Antunes tornou-se figura central da investigação por supostamente coordenar uma rede de empresas e associações envolvidas na cobrança ilegal de valores de aposentados e pensionistas. Estimativas oficiais indicam que cerca de quatro milhões de beneficiários podem ter sido afetados, com prejuízo aproximado de R$ 6 bilhões. A PF aponta que pessoas e empresas ligadas ao empresário receberam mais de R$ 53 milhões de entidades associativas investigadas, além de identificar patrimônio elevado, incluindo imóveis de alto padrão e veículos de luxo.
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A operação também resultou na prisão de Romeu Carvalho Antunes, filho e sócio do Careca do INSS, além da decretação da prisão preventiva do advogado Éric Douglas Martins Fidélis. Ele é filho de André Fidélis, ex-diretor de Benefícios do INSS, afastado após o surgimento das primeiras suspeitas e já preso em fase anterior da investigação.
De acordo com a Polícia Federal, Éric Fidélis atuava como operador financeiro do esquema. Relatórios indicam que seu escritório e contas pessoais receberam mais de R$ 3 milhões provenientes de empresas ligadas a Antunes e a associações envolvidas nas fraudes. Durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, o advogado optou por permanecer em silêncio, amparado por decisão do Supremo Tribunal Federal.
As apurações também detalham o papel de André Fidélis, que, segundo os investigadores, autorizou um número recorde de Acordos de Cooperação Técnica, permitindo que entidades realizassem descontos automáticos nos benefícios. Parte dos valores arrecadados retornaria ao núcleo do esquema por meio de contratos simulados e transferências financeiras fracionadas.
No total, esta etapa da Operação Sem Desconto envolve o cumprimento de 16 mandados de prisão preventiva e 52 de busca e apreensão em sete estados. Para a PF e a Controladoria-Geral da União, os recursos desviados sustentaram um sistema estruturado de lavagem de dinheiro, com ocultação patrimonial e aquisição de bens, ampliando o impacto das fraudes sobre os cofres públicos e os segurados do INSS.
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