PF investiga celulares de Ciro Nogueira em operação
Perícia em dispositivos integra apuração sobre suposto esquema ligado ao Banco Master e decisões do STF
A Polícia Federal iniciou a extração de dados de celulares e outros aparelhos apreendidos na residência do senador Ciro Nogueira. A ação faz parte de investigação autorizada pelo STF que apura suspeitas de benefícios mútuos envolvendo o Banco Master, emendas legislativas e possíveis repasses financeiros.
O que aconteceu
A Polícia Federal começou a extração técnica de dados de celulares, tablets e outros dispositivos apreendidos na casa do senador Ciro Nogueira, no Lago Sul, em Brasília. O material foi enviado ao Instituto Nacional de Criminalística (INC), onde peritos realizam a cópia de informações como mensagens, fotos, vídeos e registros de chamadas. Nesta fase, não há análise de conteúdo, apenas preservação dos dados para investigação.
A medida integra um inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça, do STF, em 6 de maio de 2026, que apontou indícios de um possível “arranjo funcional” entre o senador e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A decisão também autorizou medidas cautelares e a prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, apontado como operador financeiro, além de proibir contato entre investigados.
A investigação da PF cita a chamada “Emenda Master”, apresentada por Ciro Nogueira em 2024, que previa ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, o que poderia beneficiar o banco. Segundo os autos, o texto teria sido elaborado com participação de interlocutores ligados à instituição financeira.
Outro ponto envolve suposta circulação de minutas legislativas na residência do senador e orientação para evitar vínculo direto com o banco no transporte dos documentos.
A PF também investiga possíveis vantagens econômicas, como aquisição de participação societária com desconto, pagamentos mensais, uso de imóveis, viagens internacionais e despesas pessoais custeadas por terceiros.
Interceptações telefônicas e mensagens mencionam pagamentos recorrentes e custeio de viagens, incluindo diálogos sobre valores mensais e uso de cartões em despesas no exterior, segundo a investigação.
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