PF aponta 15 fundos usados para ocultar suposto esquema de R$ 308 milhões em MT
Operação Heritage investiga uso de fundos de investimento para ocultar recursos públicos desviados em Mato Grosso.
A Polícia Federal afirma ter identificado uma estrutura formada por 15 fundos de investimento que teria sido usada para ocultar o suposto desvio de R$ 308 milhões dos cofres públicos de Mato Grosso. Segundo a investigação, os recursos passaram por diferentes fundos e empresas para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro e dos beneficiários finais.
O que aconteceu
A Polícia Federal informou que a Operação Heritage revelou uma estrutura composta por 15 fundos de investimento que, segundo os investigadores, foi criada para esconder o suposto desvio de R$ 308 milhões relacionados a um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi.
Conforme o relatório da PF, dez desses fundos foram constituídos durante a execução do acordo, em datas que coincidem com os repasses realizados pelo governo estadual. Os investigadores sustentam que essas estruturas não possuíam finalidade econômica efetiva nem buscavam captar investidores, funcionando como "contas de passagem" para movimentar recursos entre empresas e fundos antes de chegarem aos destinatários finais.
Entre os exemplos citados está o Zurich FIM CP, apontado como um fundo utilizado para movimentar temporariamente valores antes de sua incorporação ao patrimônio de empresas ligadas aos investigados. O relatório também afirma que parte dos recursos passou pelo Royal Capital FIDC, que teria direcionado investimentos para a Parecis Bioenergia, empresa ligada aos filhos do ex-governador Mauro Mendes. Outro fluxo identificado envolve o Lotte Word FIDC, que, segundo a PF, teria destinado recursos ao núcleo familiar do deputado federal Fábio Garcia.
Deflagrada nesta quinta-feira (6), a Operação Heritage apura suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos. A investigação também tem como alvos o ex-governador Mauro Mendes, o deputado federal Fábio Garcia, o desembargador Ricardo Gomes de Almeida e um procurador do Estado.
Por determinação da Justiça, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, quebra de sigilos bancário e fiscal, bloqueio de bens de até R$ 316 milhões, recolhimento de passaportes e proibição de contato entre os investigados. Até a publicação da reportagem original, Mauro Mendes não havia se manifestado sobre as acusações.
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