PCC e CV terroristas: decisão de Trump ocorre quando PF avança sobre elo de grupo de Bolsonaro com facções
Senador intensifica aproximação com Trump enquanto aliados são alvo de investigações da PF sobre crime organizado e lavagem de dinheiro
Flávio Bolsonaro buscou apoio do governo de Donald Trump após os EUA classificarem PCC e CV como organizações terroristas. A medida ocorre em meio ao avanço de investigações da Polícia Federal que atingem aliados do clã Bolsonaro, empresários e operadores ligados a esquemas de lavagem de dinheiro, tráfico de armas e offshores em Delaware.
O que aconteceu
Em meio ao avanço de investigações da Polícia Federal sobre o chamado “andar de cima” do crime organizado, o senador Flávio Bolsonaro intensificou sua aproximação com o presidente dos EUA, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio. A movimentação ocorreu na mesma semana em que os EUA classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Segundo o texto, a decisão foi celebrada por Flávio Bolsonaro enquanto investigações da PF avançavam sobre aliados próximos do grupo político bolsonarista, entre eles o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e o ex-ministro da Casa Civil Ciro Nogueira.
As apurações também citam os empresários Paulo Calixto e Altieris Santana, ligados à Calixsan Capital Management LLC, que abriram uma offshore em Delaware em fevereiro deste ano. O estado norte-americano é apontado como destino de diversas offshores associadas ao Grupo Refit, do empresário Ricardo Magro, incluído recentemente na lista vermelha da Interpol.
Paulo Calixto atua como advogado de Eduardo Bolsonaro nos EUA. Já Altieris Santana apareceu em mensagens atribuídas ao parlamentar sobre o financiamento do filme Dark Horse, relacionado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o conteúdo citado, Santana teria se colocado à disposição para reuniões presenciais e auxiliaria na movimentação de recursos enviados aos EUA.
Os dois são apontados como controladores do fundo Havengate, que teria recebido aportes estimados em US$ 24 milhões ligados ao suposto patrocínio do filme, dos quais cerca de US$ 10 milhões teriam sido pagos.
As investigações ganharam força após duas operações da PF contra Cláudio Castro em maio. A primeira envolveu o caso Refit e a segunda o escândalo relacionado ao Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro. Segundo o texto, a PF passou a interligar os dois inquéritos, relacionando políticos do Centrão e da ultradireita a esquemas de lavagem de dinheiro, tráfico internacional de armas e relações com facções criminosas.
A apuração identificou ainda diálogos entre Gutemberg Fonseca, indicado por Flávio Bolsonaro para a Secretaria de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro, e Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”, apontado como integrante do Comando Vermelho.
De acordo com a PF, o esquema utilizava offshores em Delaware para ocultação patrimonial e incluía a importação ilegal de armamentos pesados, como fuzis AK-47 e AR-10 enviados em contêineres. Entre os investigados estão o agente aposentado da PF Josias João do Nascimento, chamado de “Senhor das Armas”, e o CAC Eduardo Bazzana, preso em 2025 após a apreensão de mais de 200 armas e 40 mil munições em sua residência.
Especialistas em segurança pública criticaram a decisão dos EUA de enquadrar PCC e CV como organizações terroristas. O promotor Lincoln Gakyia afirmou que a medida dificulta a cooperação internacional no combate ao crime organizado, já que as informações passariam a ser controladas pela CIA, reduzindo o intercâmbio direto entre autoridades brasileiras, FBI e DEA.
Na mesma linha, o ex-secretário nacional de Segurança Pública Mário Sarrubo avaliou que a decisão prejudica o sistema de cooperação internacional construído entre forças policiais do Brasil, Estados Unidos e países da América Latina.
O texto sustenta ainda que Flávio Bolsonaro teria entregue ao governo Trump um documento prometendo alinhamento aos interesses norte-americanos no Brasil, incluindo privatizações e abertura da exploração de terras raras a mineradoras internacionais. Em troca, segundo a publicação, o grupo político buscaria proteção diante das investigações em curso.
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